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Sérgio Pereira Cardoso

Queridos, vou mudar a loja

"Com uma máscara a esconder o rosto, terminou o buraco e entrou na ourivesaria."

Sérgio Pereira Cardoso 18 de Setembro de 2016 às 01:45

Barbudo e bem disposto, apresentou-se aos novos vizinhos. Tinha acabado de alugar uma loja no rés do chão de um edifício em Valpaços e queria avisar os moradores do prédio e o dono da ourivesaria da porta ao lado de que iria realizar obras naquele espaço. "Vou fazer um bocadinho de barulho", alertou o homem.

Ainda não se sabia, mas estávamos perante um potencial génio da ladroagem, digno de uma película de Hollywood ao estilo de ‘Ocean’s Eleven’. É que Carlos, de 31 anos, tinha tudo planeado. Analisou a Ourivesaria Videira e percebeu que estava uma loja contígua desocupada. Alugou-a e desenvolveu rapidamente amizades. "Dizia que era de Braga e que ia fazer obras para ter um local onde guardar baterias", contou um dos vizinhos de cima.

Não se ficou a saber o tipo de baterias em causa, mas que o homem estava já a dar música, lá isso estava. Forrou os vidros com jornais e começou a intervenção no estabelecimento. O seu projeto, claro, incluía a construção de um buraco que lhe permitisse aceder à loja ao lado. Já depois de dias de intensa martelada, deixou tudo pronto para a hora de almoço de 4 de março do ano passado.

Como habitual, o ourives fechou pelas 12h00. Carlos acertou o relógio. Sabia o tempo que tinha. Com uma máscara a esconder o rosto, terminou o buraco e entrou na ourivesaria. Quer dizer, entrou no WC da ourivesaria, o qual, grande azar, até tinha a porta fechada. Solução: fazer um novo buraco, desta vez numa obra mais simples e rápida – a parede era em pladur.

O assaltante também terá previsto que, a exemplo de muitos comerciantes, o dono da Videira dispensaria ligar o alarme para a pausa de almoço. Pois enganou-se. O barulho ecoou pelas ruas de Valpaços e o assaltante ficou sem tempo. Pegou num mostrador de alianças e fugiu por onde entrou. Sairia a seguir, calmamente, pela porta da sua loja, enquanto o vizinho se apercebia do furto.

A GNR demorou poucos dias a deter o ladrão. Pudera. Desde logo, tinha deixado um buraco a ligar as duas lojas. A acrescer a isso, foi apanhado pela videovigilância – mais do que reconhecido pela fisionomia, vestia as mesmas roupas com que foi visto minutos depois do assalto. Contas finais, nem sequer era de Braga. Era de Chaves e conhecido das autoridades – por isso, deixara crescer a barba.

Esqueçam Hollywood. Com tantos planeamentos errados e tamanha facilidade em criar buracos, Carlos tem é potencial para administrar um banco.

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