Barra Cofina

Correio da Manhã

Opinião
Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Eduardo Dâmaso

Filhos e enteados

Há um rasto de indignação junto de médicos e enfermeiros.

Eduardo Dâmaso(eduardodamaso@sabado.cofina.pt) 3 de Dezembro de 2020 às 00:32
O secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Lacerda Sales, promoveu 83 administradores hospitalares para vários graus da carreira. A mudança não tem efeitos remuneratórios imediatos, mas tê-lo-á quando ocorrerem concursos e colocação em vagas nos hospitais do SNS.

A medida deixou um óbvio rasto de indignação junto de médicos e enfermeiros. Afinal, em março, no auge da primeira vaga, as palmas dos portugueses, os movimentos de solidariedade, os panegíricos políticos e outras declarações grandiloquentes, foram para esses heróis. Foi sobre eles, sobre as suas condições remuneratórias e de trabalho, que se gerou o debate em torno da necessidade de reforçar o SNS. Há quase duas décadas que não têm critérios definidos para poderem saber com o que contam em matéria de progressão profissional e salarial.

Acontece que os administradores hospitalares também não tiveram, desde 2004, qualquer concurso. No fundo, uma velha história portuguesa: todos ralham mas, desta vez, todos terão razão. Com a diferença que aqui parece ter sido aplicada uma incompreensível lógica de filhos e enteados. Outra regra que mais portuguesa não poderia ser.
Saúde Lacerda Sales SNS
Ver comentários