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Correio da Manhã

Opinião

Ricardo Baptista Leite

Esperança

Plano de vacinação contra a covid-19 é símbolo máximo da esperança.

Ricardo Baptista Leite 26 de Dezembro de 2020 às 00:30

Desde março que se afirma que o fim da pandemia apenas seria possível com uma vacina segura e eficaz. Graças à ciência, não só temos a vacina, como a mesma começará a ser administrada em Portugal na semana que vem. Vislumbramos assim esperança, desta feita sob a forma de um frasco.

Até chegarmos a este momento, milhões de portugueses, e em particular os mais pobres, sofreram as consequências mais atrozes da COVID-19. A crise tem colocado uma lupa sobre as fragilidades de uma sociedade com profundas desigualdades e problemas sistémicos graves.

O ano novo que se aproxima deve-nos forçar a ambicionar mais no futuro. Um futuro sem os erros do passado. Um futuro no qual o bem-estar dos portugueses seja a prioridade, em detrimento dos preconceitos ideológicos que demasiadas vezes nos tem condicionado. O plano de vacinação contra a COVID-19 é o símbolo máximo da esperança imediata nesse futuro melhor e, também por isso, não pode falhar.

Mas tem faltado transparência. Afinal, como foram definidos critérios que levam a que um cidadão de 80 anos, com diabetes ou cancro, não seja vacinado na 1ª fase? Como se explica que nesta fase inicial se tenha decidido usar centros de saúde, expondo pessoas vulneráveis a outras pessoas doentes, e desviando recursos que deveriam ser usados para reduzir as listas de espera? A política deve sem feita com base na ciência e sem obscuridades.

Que nada sirva de desculpa para falhar e que 2021 signifique esperança para todos nós. Merecemos.

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