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Correio da Manhã

Opinião
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Armando Esteves Pereira

A hora da retoma constante

Tal como a crise não aconteceu para todos (...) a desejada retoma também não será democrática.

Armando Esteves Pereira(armandoestevespereira@cmjornal.pt) 14 de Janeiro de 2007 às 00:00
O Banco de Portugal reviu em alta as previsões económicas para o corrente ano e o ministro das Finanças exultou dizendo que os dados da instituição liderada por Vítor Constâncio confirmam que a retoma começou em 2006. Num País ávido e desesperado por boas notícias, qualquer salto de pardal já é considerado uma proeza.
De facto uma revisão em alta é sempre uma boa notícia, mas até 2008 Portugal continuará a crescer menos que a média europeia, o que significa que a economia portuguesa continuará a afastar-se da riqueza europeia, que por sua vez comparada com a Índia ou China, anda a ritmo de caracol. Basta verificar que de 2000 a 2010, em termos percentuais, a economia portuguesa não crescerá mais que a Índia em apenas um ano.
O Governo e o Banco de Portugal estão mais optimistas que as instituições internacionais e que as famílias endividadas portuguesas. A retoma do consumo privado estimada pelo Banco de Portugal parece demasiado optimista tendo em conta o elevado nível de endividamento. Para as famílias que devem à banca, a subida de juros que continuará em 2007, vai-lhes retirar mais dinheiro que os aumentos salariais previstos.
Com pouco dinheiro disponível, aflitos para pagar o empréstimo da casa, do carro, só por milagre ou por completa irracionalidade se assistirá a um crescimento significativo do consumo destas famílias, que constituem a maioria da classe média portuguesa. Aliás nos próximos meses, haverá muitas pessoas com dificuldades orçamentais para pagar o crédito da loucura de compras efectuadas no Natal passado. Tal como a crise não aconteceu para todos e muita gente em Portugal – desde empresários, gestores de empresas, quadros, alguns profissionais liberais e investidores bolsistas – ganhou muito dinheiro, a desejada retoma também não será democrática.
REFORMAS MUDADAS
Cavaco Silva promulgou a Lei de Bases da Segurança Social. Num sector tão importante e para o qual o PSD pediu um pacto de regime para haver um quadro duradouro e estável, ao Governo bastou a maioria parlamentar. O Executivo procurou um consenso, mas fora do Parlamento com os parceiros sociais. Só a CGTP não deu aval ao acordo.
Na prática a nova legislação introduz um factor de sustentabilidade para efeito do valor das pensões ligado ao aumento da esperança média de vida. Com esta medida, os cidadãos podem optar em trabalhar um pouco mais que a idade da reforma, o que significa que quem pretender ter uma reforma melhor terá de trabalhar depois dos 65 anos.
Outra novidade é a contagem de toda a carreira contributiva para o cálculo das pensões a partir deste ano, assim como é introduzido um novo indexante para os aumentos anuais das pensões. Falar de aumentos para reformas no futuro será um excesso de linguagem e se houver retoma, a maior parte dos aposentados não a sentirão no bolso.
A HORA DO JOGO
A OPA da Sonaecom já está registada. Agora chega a fase das ordens para ver quem ganha a guerra, se Belmiro de Azevedo com os seus 9,50 ou Henrique Granadeiro que promete uma compensação aos accionistas. A Belmiro basta a maioria do capital. Resta saber se a consegue, mas pela evolução da Bolsa nas últimas semanas é provável que se quiser ganhar o controlo da PT para depois a retalhar tem de pagar um prémio superior ao oferecido. Neste caso o mercado é mesmo soberano.
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