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Correio da Manhã

Opinião
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25 de Abril de 2012 às 01:00

O milagre da transição pacífica para a democracia em Portugal é uma referência global que inspirou primeiro a queda das ditaduras em Espanha e na Grécia, depois as vagas de liberdade na América Latina, na Europa de Leste e ainda serve de exemplo à primavera árabe.

A descolonização foi uma aprendizagem penosa mas hoje o português é uma língua global e a CPLP uma realidade política em que os sucessos do Brasil, de Cabo Verde ou de Timor indicam o caminho de desenvolvimento em liberdade.

O consenso social da democracia fez--se em torno da integração europeia, da generalização do acesso à educação e do sucesso que foi o SNS. Portugal tem hoje uma mortalidade infantil inferior à dos Estados Unidos e uma esperança de vida de nível europeu.

O nossos principais défices são de organização e de auto-estima. A competitividade depende da qualificação, do sentido de iniciativa e da motivação coletiva jamais de salários de miséria e da prepotência e do medo como modelo de gestão de recursos. O porto de Sines, o calçado ou a Critical Software provam que podemos estar entre os melhores. Os nossos casos de sucesso não são só Mourinho ou Ronaldo, devemos lembrar Barroso, Joana Vasconcelos, Guterres, Miguel Gomes, Lobo Antunes ou Gonçalo Tocha.

O drama do atual Governo é que na sua fúria destruidora do consenso social confunde correção de erros com chacina social, reza por vulgata de manual de economês sem cultura histórica nem dimensão social.

O passismo é pós-democrático porque despreza o legado de Abril e tem a obsessão do pensamento único. Mas aqueles que faltam hoje à celebração no Parlamento cometem o grave erro de desvalorizar a liberdade suprema do Abril plural - a de escrever isto sem receio, a de pôr Passos a chocar com a vida real e mesmo o direito democrático a desprezar a menoridade de Cavaco.

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