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Correio da Manhã

Opinião
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Armando Esteves Pereira

Antibiótico fatal do BCE

O Banco Central Europeu é herdeiro da tradição do poderoso banco central alemão na luta feroz contra a inflação. Para manter o objectivo da estabilidade dos preços, a receita convencional é subir os juros. <br/><br/>

Armando Esteves Pereira(armandoestevespereira@cmjornal.pt) 15 de Junho de 2008 às 00:30

Tal como os médicos costumam receitar antibióticos contra os efeitos dos vírus, a autoridade do euro, liderada pelo francês Trichet, tende a subir os juros para travar a espiral de preços. O recorde do custo dos produtos petrolíferos e dos bens alimentares está a levar a inflação na Europa para níveis preocupantes.

Em Maio, na Zona Euro, o indicador da variação dos preços apontava para uma média de 3,6%, muito acima do limite tolerável pelo BCE, que é de 2%. O problema é que a administração do antibiótico dos juros num período de anemia pode ser fatal para a frágil economia europeia.

- Os bancos já anteciparam as subidas e a Euribor a seis meses, a principal referência do crédito à habitação, já ultrapassou os 5%, enquanto a taxa do BCE ainda é de 4%.

- Se o BCE subir os juros, o investimento fica mais caro, as empresas retraem-se e empregam menos e o Estado paga mais pela dívida pública.

- Para as famílias endividadas, é mais uma sobrecarga. Em Março de 2004, a Euribor a seis meses estava nos 1,9%. O preço do dinheiro está hoje 2,5 vezes mais caro.

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