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Correio da Manhã

Opinião
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30 de Março de 2012 às 01:00

Receio bem que o FC Porto tenha errado no alvo. As verdadeiras madrassas do futebol português não estão na Ericeira: estão todas as segundas e terças-feiras à noite em três canais por cabo. Chamam-se ‘Dia Seguinte’, ‘Prolongamento’ e ‘Trio de Ataque’, e em vez do ‘Atirei o Pau ao Gato’ preferem entoar múltiplas variações do ‘Atirei o Pau ao Árbitro’.

Não me espanta, por isso, que Fernando Gomes tenha anunciado que os árbitros tencionam fazer greve ao apito se o clima de suspeição continuar. Eu estou com os árbitros. É evidente que tenho pena que a profissionalização nunca mais chegue e que a tecnologia continue na prateleira, mas já não estamos no tempo das visitas ao balneário ou das indicações para a vivenda de Pinto da Costa. Os árbitros não são comprados – são apenas maus. E sendo maus para todos, não há qualquer razão para eles continuarem a ser transformados nos bombos da festa de todas as incompetências e fracassos desportivos.

Mas se dos dirigentes dos clubes já sabemos não poder esperar muito, que justificação têm SIC, TVI e RTP e jornalistas respeitáveis como Paulo Garcia para continuarem a alimentar o actual clima de ódio, promovendo comentários coléricos aos "casos das jornadas", em que chegam a repetir dez vezes a mesma canelada? Sim, estas são as verdadeiras madrassas. E não estão no Paquistão – estão na nossa televisão.

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