Barra Cofina

Correio da Manhã

Opinião
6
Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Francisco J. Gonçalves

As ruínas do Império

O FMI está a esticar a corda. Indiferente à ebulição social na Grécia, exige aos líderes "medidas mais corajosas", isto é, pede aos gregos para apertarem mais um cinto que já vai parecendo forca. De tão tensa, a corda ainda mata, não os gregos (e os portugueses) mas o euro.

Francisco J. Gonçalves 29 de Junho de 2011 às 00:30

E arrisca matar até a União Europeia. Num mundo globalizado, as revoluções árabes mostraram a todos que, com persistência e unidade, pode derrubar-se qualquer déspota. Ora, no democrático Ocidente há igualmente um despotismo ao volante: a ditadura dos mercados. Em Espanha, ainda não visitada pelo FMI, alastra um movimento popular com valor de sintoma e de exemplo. Que aconteceria se o exemplo fosse seguido em França, Alemanha, Reino Unido? "Começou aqui a revolução da classe média", escreveu J.G. Ballard em ‘Millenium People’, "não a revolta de um proletariado desesperado, mas a rebelião da classe de profissionais educados que eram a âncora da sociedade". O que se vai vendo é bem diferente do cenário imaginado por Ballard, mas pode ser mais apocalíptico. Se a classe média dissesse ‘basta!’ e se esse grito fosse repetido do Mediterrâneo aos Urais, nenhum governo apagaria o rastilho, com palavras ou com tropas. O resultado seria parecido a uma revolução global ou a uma guerra fratricida. Curioso como esta decadência faz lembrar o fim do Império Romano!

F.J. Gonçalves Jornalista

Ver comentários