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Correio da Manhã

Opinião
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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Francisco J. Gonçalves

Capitão Cobarde

O naufrágio do ‘Costa Concordia’ numa sexta--feira 13 promete inspirar histórias para todos os gostos. Apesar das óbvias diferenças, desde logo no número de mortos, a comparação com o fim trágico do ‘Titanic’ era inevitável e tem sido a mais repetida.

Francisco J. Gonçalves 25 de Janeiro de 2012 às 01:00

Mas o drama em tons de farsa que foi aquele naufrágio junto à costa impõe outra comparação: a de Francesco Schettino, capitão do ‘Concordia’, com Lord Jim, personagem do romance homónimo de Joseph Conrad. Jim servia num navio que ameaçou naufragar carregado de peregrinos. Como Schettino, Jim abandonou os passageiros à sua sorte. Vai a tribunal, mas, mais que o julgamento dos homens, magoa-o o julgamento da sua consciência. Por isso, foge para Oriente em busca da oportunidade de lavar a vergonha com um acto heróico e encontra-a numa ilha perdida onde sacrifica a vida para salvar um povo martirizado.

A diferença entre a cobardia vexada de Jim e a cobardia desavergonhada de Schettino é, de certa forma, a mesma que separa a cultura de honra que caracterizava ainda o século XIX da nossa cultura de aparências em que a ‘honra’ é comprada pelo preço certo e ‘lavada’ em tribunais corruptos.

 

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