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Correio da Manhã

Opinião
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Armando Esteves Pereira

Colarinho branco

A nacionalização do BPN vai custar muito caro aos contribuintes. Incluindo os fundos da Caixa Geral de Depósitos envolvidos no apoio ao banco, já há quase 5 mil milhões de dinheiro público.

Armando Esteves Pereira(armandoestevespereira@cmjornal.pt) 31 de Dezembro de 2010 às 00:30

Se houver uma injecção de capital de 500 milhões, a factura chega aos 5,3 mil milhões. Nem tudo é prejuízo, porque há algumas garantias, mas, pelos indicadores actuais, o buraco real a ser suportado pelos contribuintes será superior a 2 mil milhões.

Como revela hoje o CM, os activos tóxicos deste banco já somam três mil milhões. Pode haver hipótese de recuperar uma parte, mas a maioria desapareceu em negócios chorudos, autênticos crimes que vão ficar impunes. Há vários processos na Justiça. Oliveira e Costa esteve em prisão preventiva, não sendo o único responsável. Num país em que os protagonistas deste escândalo também tiveram poder para fazer leis que são praticamente inócuas para os crimes de colarinho branco, os principais suspeitos serão chamados a depor, vão pagar alguns milhares a advogados, mas, comparado com os milhões que roubam, este pequeno incómodo é uma insignificância.

Se um gang for apanhado a roubar 10 mil euros num banco arrisca 10 anos de cadeia. Se forem banqueiros, milionários e ex-políticos poderosos a burlar centenas de milhões não acontece quase nada. Portugal parece uma offshore legal para os crimes de colarinho branco.

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