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Correio da Manhã

Opinião
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Fernanda Cachão

Comédia de Deus

Dois dos quatro agentes da divisão de Cascais suspeitos de corrupção, tráfico e extorsão ficaram em prisão preventiva. A mancha na farda estava a ser investigada há um ano pela Unidade Especial de Combate ao Crime Violento do DIAP de Lisboa.

Fernanda Cachão 17 de Maio de 2011 às 00:30

 Os polícias envolvidos terão, por exemplo, retirado droga das apreensões para a reintroduzir no circuito do tráfico; e metido ao bolso parte do lucro da venda, numa cena que, para ser peça de ficção, dava jeito que se tivesse desenrolado pela calada da noite, falada em inglês da América. "I’ve got federal agents so far up my ass...", diz Junior, num dos episódios de ‘Sopranos’. Mas isto é Portugal. País onde não há santo sem sardinhas, jeropiga ou castanhas, seja ele António, Pedro, Martinho ou João.

Entre o rol de perplexidades deste caso, está o episódio do borrego. Um dos polícias terá extorquido o bicho que à mesa portuguesa chega ensopadinho com pão frito ou assadinho no forno, pela Páscoa – e em troca devolvido ao suspeito o material que lhe havia sido apreendido. Não adianta. O criador de ‘Sopranos’, David Chase, nunca com Portugal faria bom trabalho. Talvez João César Monteiro, se fosse vivo, desde que Eduardo Catroga – com o seu jeito para as palavras e entendimento perfeito com o realizador de ‘A Comédia de Deus’ – escrevesse o argumento.

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