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Correio da Manhã

Opinião
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Eduardo Dâmaso

Ela sempre voltará...

Há um ano o Parlamento organizou uma grande sessão pública de debate sobre a corrupção. Convidados de luxo, Baltasar Gárzon como a estrela convidada mais resplandecente, debate muito interessante e propostas sérias. Por esses dias, tal como hoje, os grupos parlamentares estavam envolvidos na discussão do chamado ‘Pacote Cravinho’, um conjunto de iniciativas legislativas que visava modernizar os instrumentos legais, técnicos, repressivos e preventivos de combate à corrupção.

Eduardo Dâmaso(eduardodamaso@sabado.cofina.pt) 6 de Abril de 2008 às 00:30

Passado um ano, o balanço é francamente desolador. Uma parte significativa do ‘Pacote Cravinho’ ficou pelo caminho ou em banho-maria e o combate à corrupção continua a ser um caminho feito por meia dúzia de pessoas, estimuladas pela obrigação, pelo puro voluntarismo ou pela consciência cívica. A incomodidade do tema tem-se visto, em particular no universo político, onde os partidos com vocação de poder já não escondem o enfado de cada vez que a questão emerge.

A corrupção, porém, é daqueles temas elásticos que estão sempre a regressar. Por via dos casos ou da falta deles ou da sua resolução, em flagrante contraste com a percepção pública sobre a sua abafada existência, ela sempre voltará. Por via das palavras do Presidente da República ou, eventualmente, da falta delas, ela voltará. Por via do contraste flagrante com a evolução que é feita no seu combate em países como a Espanha, ela sempre voltará. Pode demorar meses, anos ou séculos, ela sempre voltará porque é velha como a Humanidade.

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