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Correio da Manhã

Opinião
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Alexandre Pais

Ele venceu a inveja

Comecei a ouvir rádio por causa de Artur Agostinho e dos inesquecíveis relatos dos jogos de hóquei nos anos 50. E comecei a ver televisão por causa de Artur Agostinho e de um inolvidável concurso da RTP, o ‘Quem sabe, sabe’, de 1957, marca de uma época.

Alexandre Pais 26 de Março de 2011 às 00:30

Conheci-o anos depois, nas suas raras aparições na Emissora Nacional, pois já era director do ‘Record’ e coordenava apenas a actividade jornalística com os relatos de futebol. Mas sempre que passava pelos estúdios do Quelhas juntava muitos basbaques como eu e contava anedotas com o talento insuperável que punha em tudo.

Só em 2005 nos reencontrámos num almoço, com o António Magalhães, para que o ‘Record’ acertasse contas com a sua história e pudesse reparar, na medida do possível, o irreparável: a brutalidade da demissão do Artur, em 1974. E creio que demos o nosso melhor.

Hoje, mal refeito da perda daquele que foi ‘o’ comunicador dos comunicadores portugueses, fixo-me na crónica de outro, Jorge Gabriel, no ‘Record’, e na partilha de uma lição sobre a inveja que recebeu de Artur Agostinho quando se iniciava na profissão: "Qualquer exercício que revele poder, projecção ou reconhecimento público estará debaixo da mira dos incompetentes." Nem mais.

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