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Correio da Manhã

Opinião
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6 de Agosto de 2006 às 00:00
Os milhões dados ao Estado pela indústria tabaqueira, primeiro, pelos fumadores, depois, e pela indústria farmacêutica, por fim, têm feito travar sucessivos governos. E aquilo que deveria ser uma intervenção decidida e sem contemplações, acaba por não passar de pequenas camuflagens sem efeitos duradouros.
Afinal, o que é que se avançou em todos estes anos? Pensando nos últimos 40, os maços de tabaco têm agora uns rótulos que dizem “fumar mata”, há restaurantes com zonas de “não fumadores” e empresas em que é obrigatório ir fumar para as escadas. Mas rótulos, já se sabe, é coisa que poucos lêem. E que interessa estar numa ponta ou na outra da sala, se o fumo é uma nuvem por cima de todas as mesas? E já agora, as escadas não deviam servir para o tal exercício físico diário que todos devíamos praticar sem chegar ao fim a tossir?
O último anteprojecto prometido, pelo actual Governo, deveria estar pronto em 2007, seguindo os bons exemplos europeus de Espanha e Irlanda. Proíbe fumar em todos os espaços públicos, multas de 50 a mil euros a quem o fizer e direito aos ofendidos de chamar a polícia. Mas seguramente vai ser preciso ainda esperar muito para ver. Ou então recorrer à União Europeia. Porque discriminar não é recusar fumadores. É ignorar os direitos de quem não fuma.
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