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Correio da Manhã

Opinião
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7 de Novembro de 2005 às 00:00
Dona Ermelinda sofreu com esta nova forma de solidão. Uma solidão sem imagens. Sem som. Houve dias em que sentiu um formigueiro na ponta dos dedos, houve momentos em que ficou refém de um tique nervoso no olho esquerdo. A vontade de apertar no botão era tanta, que às vezes até sentia tonturas. Mas resistiu.
Dona Ermelinda aprendeu que é possível ver televisão por procuração – basta devorar as revistas da especialidade. Foi assim que ficou a saber dos estados de alma de Castelo Branco, dos novos projectos do Frota. De Valentina, Telmo e companhia, nem uma linha. É mais fácil saltar uma página do que apagar a televisão.
Dona Ermelinda passou a semana com uma frase na ponta da língua. “Nunca mais é domingo”, confidenciou finalmente numa das raras idas ao talho. O sr. Lopes sorriu. “Então não me diga que já fez as pazes com a ‘1.ª Companhia’?”, interrogou meio a brincar. “Nem pensar”, respondeu com o ar mais sério do mundo. E acrescentou: “É que domingo acaba este tormento”.
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