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Correio da Manhã

Opinião
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Francisco Moita Flores

O Erro Fundador

Passos Coelho cometeu o erro fundador, que o vai levar ao fundo do abismo, há precisamente dois anos.

Francisco Moita Flores 5 de Maio de 2013 às 01:00

Num ato mais cavaleiresco do que de delicadeza para com os vencidos, fez a declaração pública, diversas vezes repetida, de que não iria responsabilizar o passado pela exigência que os desafios futuros iam colocar ao País.

Foi uma decisão romântica, descabelada, que exorcizava o peso da História e que a breve trecho o iria confrontar com a realidade política. A verdade nua e crua daquilo que foram os desastres acumulados ao longo das últimas décadas nunca fez parte da nossa informação mais atenta. Chegou aos pingos. Desde os buracos no orçamento, nas PPP, a esse enorme buraco que foi o BPN e, agora, os negócios com a Banca feitos por empresas públicas que são mais um buraco com igual dimensão aos outros que fomos sabendo. Desapareceram milhões ou para paradeiro incerto ou para destino conhecido, embora duvidoso. Não admira, pois, que numa das últimas sessões de uma comissão parlamentar, Vítor Gaspar tenha sido notícia porque disse uma verdade infeliz com alguma indignação. Que não era eleito.

Porém, este espalhanço do ministro fora antecedido de um protesto indignado de um deputado socialista, a propósito das ‘swaps’, quando Gaspar recordou que estas operações bancárias tinham sido realizadas durante o governo anterior. O deputado foi aos arames, desmanchou de forma quase insultuosa o ministro, desfê-lo em indignações com batimentos de expiação no peito e a coisa terminou com as arengas do costume, culpabilizando o governo por tudo o que de mal existe.

Este governo pôs-se a jeito. Não só pela rigidez das suas políticas. Mas porque quis ignorar a História. Esquecê-la, discuti-la sob a forma de números, mas ignorando antigas responsabilidades políticas e pessoais, que estoiraram com as finanças do País. Hoje ninguém liga a esse gesto cavaleiresco de Passos Coelho. Mal se sabe que outros governos existiram e, até, assinaram os acordos que nos esmagam, e o capital de confiança, o único capital que consigo transportava, mingua enquanto aumentam os gritos de fome de poder dos lobos que nos trouxeram a este redil de aflições. Agora é tarde. Quando se troca a História pela folha de Excel, deixa de haver inocentes.

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