O furacão da Justiça

Eduardo Dâmaso

O furacão da Justiça

A ‘Operação Furacão’ vai ter uma primeira fase de acusações até Junho que serão de branqueamento, facturas falsas e evasão fiscal. Isto significa que cai por terra a tese de que estávamos apenas perante um caso de evasão fiscal e que, à portuguesa, a criminalização dos factos seria consumida pelo pagamento da verba devida ao Estado.
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Com facturas falsas e branqueamento o caso não é de resolução tão simples e terá de passar pelo habitual caminho das pedras até chegar, eventualmente, a julgamento. O percurso é difícil mas é preferível que seja assim. Isto é, que sejam esgotadas todas as hipóteses processuais de realizar um julgamento.
Seja qual for o resultado desse julgamento a verdade é que o aparato da operação colocou as expectativas quanto à capacidade da Justiça em níveis insustentáveis.
A ‘Operação Furacão’ tornou-se no furacão que pode devastar a Justiça. Depois de um tão forte abalo na confiança do sistema bancário, de terem sido tocadas organizações tão importantes para a economia como poderosas na gestão de influências, as coisas não podem ficar ao nível da mera liquidação do imposto em dívida. É preciso saber se estamos perante crimes tão graves como o de branqueamento de capitais ao mais alto nível e, sobretudo, se temos uma Justiça capaz de o investigar de forma rigorosa seja qual for o resultado final. Disso depende uma boa parte da credibilidade do sistema de investigação criminal. Para o cidadão, numa incontornável simplificação, da Justiça.
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