Com facturas falsas e branqueamento o caso não é de resolução tão simples e terá de passar pelo habitual caminho das pedras até chegar, eventualmente, a julgamento. O percurso é difícil mas é preferível que seja assim. Isto é, que sejam esgotadas todas as hipóteses processuais de realizar um julgamento.
Seja qual for o resultado desse julgamento a verdade é que o aparato da operação colocou as expectativas quanto à capacidade da Justiça em níveis insustentáveis.
A ‘Operação Furacão’ tornou-se no furacão que pode devastar a Justiça. Depois de um tão forte abalo na confiança do sistema bancário, de terem sido tocadas organizações tão importantes para a economia como poderosas na gestão de influências, as coisas não podem ficar ao nível da mera liquidação do imposto em dívida. É preciso saber se estamos perante crimes tão graves como o de branqueamento de capitais ao mais alto nível e, sobretudo, se temos uma Justiça capaz de o investigar de forma rigorosa seja qual for o resultado final. Disso depende uma boa parte da credibilidade do sistema de investigação criminal. Para o cidadão, numa incontornável simplificação, da Justiça.