O partido hipotecado

Eduardo Dâmaso

O partido hipotecado

O CDS-PP andou dois anos a viver no mundo da irrealidade quotidiana: tem um líder que dirige o partido de Bruxelas; um ex-líder que queria controlar a sucessão e perdeu; um grupo parlamentar amotinado; um discurso condicionado pela guerrilha interna, sempre mais sonora do que qualquer proposta que Ribeiro e Castro fizesse. Ou seja, o CDS é hoje um partido hipotecado à ambição de Portas e à fragilidade de Ribeiro e Castro.
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O partido hipotecado
A culpa é de Ribeiro e Castro? Sim e não! Os erros de um líder que viu o poder cair-lhe do céu são evidentes. Ganhou e foi-se embora para Bruxelas. Ganhou e não pôs ordem no partido nem no grupo parlamentar. Não procurou pontes nem cozinhou alianças. Deixou Paulo Portas e os amigos em roda livre.
Já o ex-líder fez a sua sabática e deixou os amigos a atiçar o lume brando em que Ribeiro e Castro cozeu estes dois anos. Portas saiu como quis, volta quando quer, com o capital próprio de ter sido ele a levar o CDS ao poder depois de vinte anos de míngua, de ter atraído quadros e lhe ter devolvido um discurso.
Tudo isto seria normal não fosse o nível inqualificável a que chegou o Conselho Nacional de Óbidos. As razões de uns e outros são de tal modo incompreensíveis que a única coisa que resta são duas constatações óbvias: não será com nenhum deles que a direita se conseguirá reerguer e é também por causa deles que Sócrates tem o sucesso que tem no eleitorado do centro-direita.
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