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Correio da Manhã

Opinião
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Armando Esteves Pereira

O perigo de abrir a caixa de Pandora

Uma crise política por causa do canudo do primeiro-ministro ficaria demasiado cara aos portugueses.

Armando Esteves Pereira(armandoestevespereira@cmjornal.pt) 15 de Abril de 2007 às 00:00
Se uma grande empresa mudar constantemente de presidente executivo certamente que as suas cotações se ressentem e perde oportunidades de mercado. Com os países acontece a mesma coisa e a instabilidade política acaba por ter reflexos no bolso dos cidadãos. As confusões com o diploma de licenciatura do primeiro-ministro abriram uma caixa de Pandora com consequências graves, que poderiam ser trágicas, se no limite, o primeiro-ministro apresentasse a demissão.
Há 30 anos Portugal e Espanha estavam ambos longe dos padrões europeus, mas Espanha aproximou-se da média da qualidade de vida dos mais ricos da Europa, enquanto Portugal ainda continua na cauda. Há muitas razões para o comportamento díspar dos dois vizinhos ibéricos, mas em 30 anos de governos constitucionais, Espanha só teve 5 primeiros-ministros e Portugal teve 11. Por cá, desde 2000 ainda nenhum governo completou a legislatura: Guterres desistiu por causa do pântano, Durão foi para Bruxelas e Santana foi alvo de um despedimento sumário.
Depois de todos estes choques traumáticos, a maioria de Sócrates beneficiava de um estado de graça. Conseguiu impor medidas difíceis que há alguns anos seriam impossíveis de tomar. Portugal ainda está a crescer pouco e todas as previsões apontam para uma ligeira aceleração durante o corrente ano e no próximo.
Uma crise política travaria esta recuperação e desapareceria o principal combustível para o dinamismo económico: a confiança. A instabilidade política aumentaria ainda mais o risco do país, o que se traduziria num aumento dos juros para os empréstimos contraídos em Portugal. A prestação mensal das famílias à banca relativas ao crédito à habitação seriam agravadas. Este caso comprova a teoria do caos aleatório e a borboleta da Universidade Independente acaba por causar uma tempestade na política portuguesa. E Portugal só tem a perder com o caos.
O VALOR DE RONALDO
Cristiano Ronaldo passou a ser o futebolista mais bem pago do Mundo. Em cada hora que passa o Manchester dá-lhe mais de mil euros, um salário que a maior parte dos jovens portugueses com a idade do futebolista não consegue ganhar por mês. O jogador ainda pode multiplicar a sua fortuna com os contratos de publicidade e patrocínios até porque é das marcas mais famosas do Mundo.
A excelência não tem preço e o jovem madeirense é reconhecidamente o melhor do Mundo no seu ofício. Se os profissionais portugueses trabalharem como Ronaldo para estarem nos melhores do mundo no seu ofício, não terão garantidas as montanhas de milhões do n.º 7 do Manchester, mas certamente serão recompensados.
Outro profissional português que alcançou o topo do Mundo na sua profissão é Mourinho. Curiosamente é o futebol que dá os melhores exemplos à sociedade portuguesa e é um sintoma que apesar de todas as críticas a formação naquele sector em Portugal é muito melhor que a das universidades, como disse recentemente ao CM o professor António Câmara. Infelizmente em Portugal não há nenhuma universidade com os resultados da Academia do Sporting.
EXCEDENTÁRIOS
Começou a divulgação da lista dos excedentários. O Ministério da Agricultura é pioneiro e promete dispensar mais de 3 mil funcionários. Agora descobrem-se os problemas concretos. Há funcionários que vivem em casas do Estado. Além da dispensa do trabalho correm também o risco de perder a habitação.
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