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Correio da Manhã

Opinião
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19 de Junho de 2013 às 01:00

Do meu abrigo tantas vezes exibido em capas de livros como símbolo da resistência do velho Al-Gharb à barbárie do crescimento desordenado, fui desde criança assistindo à expansão da terra de Teixeira Gomes, desde o alargamento da Praia da Rocha à multiplicação de torres à beira-mar ou ao desaparecimento do Cine Esplanada da minha infância.

Ganhou-se um museu magnífico, bons equipamentos culturais e desportivos e uma marina que abriga sonhos de marear.

Ao ver os dados do INE sobre a evolução demográfica em 2012, a dimensão da crise caiu sobre mim como se a depressão profunda tivesse feito desaparecer Portimão do mapa. Até 2010, a população portuguesa crescera continuamente em democracia. Entre o afluxo de cerca de um milhão de portugueses vindos das antigas colónias e a nova emigração ucraniana, brasileira ou africana, foi ultrapassada a barreira dos 10,5 milhões de habitantes, apesar da gradual redução da natalidade.

Mas o tratamento de choque da revolução de direita começa a produzir resultados que ficarão para a História. Com Passos e Gaspar, temos um novo Portugal em que as famílias desistem de procriar, os novos imigrantes regressam às origens e os jovens correm Mundo fora em busca de novas oportunidades.

Os resultados atingidos são impressionantes. Pela primeira vez desde que há registos, nasceram menos de 90 mil bebés, e o índice de fecundidade de 1,28 só é superado negativamente pela Bósnia-Herzegovina.

Esta direita surpreende a nível mundial pela forma destemida como desejou a intervenção externa, a violência com que aumenta impostos e ativa a destruição da família enchendo a boca de "visto familiar" e caridade.

Em 2012, a população portuguesa diminui em 55 mil pessoas, regredindo para níveis de 2003. O saldo natural foi negativo em 17 mil e o migratório em 37 mil pessoas. Exatamente a população do concelho de Portimão no último censo. É como se toda a cidade tivesse morrido ou emigrado… O Governo devia perceber que os portugueses estão a votar com os pés e o preservativo dizendo que já basta…

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