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Correio da Manhã

Opinião
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2 de Novembro de 2003 às 00:00
O Nordeste é a região brasileira mais próxima de Portugal e, portanto, da Europa. Uma rede de voos directos liga Lisboa a Recife, Fortaleza, Bahia e Maceió, em pouco mais de seis horas, fazendo o turismo português no Nordeste do Brasil multiplicar-se e usufruir de preços acessíveis, num tempo em que a moeda brasileira é cotada a um terço do euro.
A publicidade turística especializada coloca em cartaz em Portugal as paisagens de praias do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Bahia. Com impressionante realce, figuram as dunas brancas quase como neve, os coqueiros delgados, altos e com as frontes verdes e farfalhantes, assinalando-se a brisa que sopra na região vindo do mar e que refresca as tardes do Nordeste, que se caracteriza por apresentar um clima quente ao longo do ano, mas nunca tão quente, apenas registando no Verão marcas acima de 30 graus.
O Ceará está na moda em Portugal. E parece que indo de encontro a esse sentimento, o Presidente Lula da Silva nomeou um Embaixador que é de todos os costados um homem tradicional do Ceará, Estado marcado pela presença portuguesa de 300 anos, caldeada com elemento indígena, os Tabajaras, e com o elemento racial africano, em ponto menor porque o Ceará não fez parte do ciclo e da cultura do açúcar a que foi ligada a utilização forçada do braço negro.
Esse homem do Ceará que acaba de apresentar as credenciais, chama-se António Paes de Andrade. Nasceu no sertão cearense, numa cidade que tem o nome de significado histórico para a presença de Portugal em África, que é Mombaça, no Quénia de nossos dias. Paes de Andrade fez o percurso do sertão de Mombaça à Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, à Assembleia Legislativa do Estado do Ceará e por quase 40 anos frequentou o Parlamento Nacional como deputado federal, para chegar a presidir a Câmara dos Deputados, condição em que actuou como Presidente interino do Brasil nada menos que catorze vezes.
A sua obra sobre Direito Constitucional Brasileiro é livro de estudo na academia diplomática brasileira, o Instituto Rio Branco do Ministério das Relações Exteriores.
Paes de Andrade é por excelência um homem de cultura luso-brasileira e por isso mesmo uma viva e forte expressão da luso-brasilidade, que mais ainda se fortalecerá com experiência de vida em Portugal, país que ama como se fosse o de seu berço.
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