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Correio da Manhã

Opinião
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Francisco Moita Flores

Terroristas e NATO

Sabem, pelos noticiários, aquilo que a segurança faz. E sabem da quantidade de medo que se anda a semear

Francisco Moita Flores 14 de Novembro de 2010 às 00:30

Os chefes máximos da NATO vão reunir-se em Lisboa. Ao certo ninguém sabe aquilo que se vai tratar na cimeira. Mas já sabemos de tudo aquilo que envolve a segurança das criaturas. Tem sido um folclore de notícias sobre o risco, sobre os ‘blindados’, sobre a circulação em Lisboa, enfim, na boa tradição lusa que não nos deixa aprender com os erros, sabemos tudo sobre os adjectivos, nada sobre os substantivos.

Daí que a discussão em torno dos níveis de alerta sobre o risco que envolve tal encontro, sobre bandidos, terroristas e criminosos correlativos vá enchendo páginas de jornais sem proveito nem para o corpo nem para a alma, e até sirva os interesses de algum terrorista mais pateta que se atreva a pôr o nariz de fora. Sabem, pelos noticiários, aquilo que a segurança faz ou não faz. E, sobretudo, sabem da quantidade de medo que por aí se anda a semear. Quanto mais medrosa estiver uma comunidade, menor será a sua capacidade de reagir a uma situação de grande violência. O que não vai ser o caso.

E a razão é simples. O terrorismo emergente, saído das estratégias da al-Qaedda, tem uma diversidade infinita de objectivos, um carácter anárquico, diria mesmo caótico. Os países da NATO são inimigos, é certo. Mas também é verdade que uma parte dos atentados de massa ocorreu em países muçulmanos sem se querer atingir uma autoridade específica. Veja-se a carnificina de Bali. Acresce a tudo isto que, longe das palavras e do palavreado, quem conhece a organização de um evento desta natureza sabe que Lisboa está infestada de polícias, de serviços secretos há várias semanas, sendo certo que os esforços das polícias portuguesas e dos serviços secretos para proteger alvos têm de estar a ser organizados há vários meses. Mesmo com alerta vermelho, no que respeita à segurança europeia é mais coerente uma acção deste terrorismo sem pátria, uma acção violenta em Londres ou em Bona, do que no mais vigiado país do mundo por estes dias. Ou uma acção sem objectivos específicos, apenas para provocar o caos em qualquer outra parte do mundo.

Manda o bom senso que haja discrição. Discutir as ameaças à segurança, dar-lhes títulos e parangonas, pode vender jornais, mas não assegura a prudência. Não é assim que se protege um evento desta natureza. Não é a primeira vez que esta cimeira acontece em Lisboa. Sei como se faz. Os lisboetas, com a sua tolerância de ponto, que gozem o feriado. Divirtam--se. E os dirigentes da NATO que se reúnam depressa e saiam de cá depressa. Assim poderemos definitivamente dedicarmo-nos àquilo que é sério.

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