Um ano em Belém

Eduardo Dâmaso

Um ano em Belém

O Presidente da República assinalou ontem um ano de mandato evocando a sua própria experiência enquanto primeiro-ministro que saiu exausto da primeira presidência portuguesa da União Europeia, em 1992, e viu começar aí o seu declínio.
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Ou seja, Cavaco Silva fez questão de deixar um ‘conselho’ a Sócrates: atenção, vem aí mais uma presidência da UE, é coisa muito desgastante mas não é alibi para travar reformas.
O Presidente sabe que os governos tendem a concentrar todas as energias nos compromissos da presidência. Aconteceu com o próprio, com António Guterres e Cavaco sabe que pode acontecer com Sócrates.
O momento que vivemos, porém, é muito diferente daqueles de 1992 e 2000. Com Cavaco havia estabilidade política e ainda a euforia dos dinheiros de Bruxelas que andavam por aí com aplicação incerta. Com Guterres não havia estabilidade política mas a vertigem do consumo dominava.
Com Sócrates há a tentativa de sair de um tempo política e economicamente penoso em que emergiu um País marcado por uma enorme fractura social e económica. Há estabilidade política mas não há dinheiro. Há medidas mas ainda não há resultados. Há um País que é a soma de todos os fracassos anteriores e que pesa na consciência de todos os que a têm.
Por isso, Cavaco dá estabilidade mas quer resultados. Dá apoio mas quer trabalho. Ele, melhor do que ninguém, sabe tudo o que perdemos nos vinte anos que ficaram para trás.
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