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Correio da Manhã

Opinião
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Alfredo Leite

Uma névoa no ar

A deputada do PS que facilitou reuniões entre a Aristropreference, do lobista brasileiro Rowles Silva, e a Parvalorem para a compra da Omni é fiel à família.

Alfredo Leite(alfredoleite@cmjornal.pt) 1 de Março de 2021 às 00:33
A deputada do PS que facilitou reuniões entre a Aristropreference, do lobista brasileiro Rowles Silva, e a Parvalorem para a compra da Omni é fiel à família. Eleita presidente da Trofa em 2009, Joana Lima fixou no gabinete um retrato de Mário Soares, que tinha deixado Belém em 1996. Durante o mandato, o MP teve suspeitas que iam além da fidelidade aos parentes políticos e acusou-a de entregar reparações das viaturas municipais e o fornecimento de flores para eventos a empresas da sua família e, noutro processo, de usar abusivamente o cartão de crédito de uma empresa municipal. Foi absolvida das acusações, mas nunca saiu do olho do furacão das coincidências. Rowles, que reuniu no Brasil com João Loureiro - antes de o filho de Valentim ter viajado para Salvador no avião da Omni com 587 quilos de cocaína -, esteve amiúde na Invicta desde 2011, ano em que visitou a Metro do Porto, onde Joana foi administradora pouco depois. Joana Lima explicou que ao intermediar reuniões entre a firma de Rowles e a Parvalorem, herdeira da dívida da Omni ao BPN, “estava a ajudar um investimento no País”. E, justificou, é “para isso é que fomos eleitos”. Legitimar o lóbi num negócio privado é um entendimento enviesado do papel de deputado. Se esta ação foi inócua, Joana Lima deveria revelar quem pediu a sua intermediação. Ao recusar fazê-lo, deixa uma névoa no ar.

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