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Correio da Manhã

Opinião
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Um dia de cada vez

O jejum social na primavera é inédito e doloroso, mas temos de aguentar.
Editorial CM 27 de Março de 2020 às 00:31

Nos próximos meses temos todos várias crises para resolver. A primeira é a crise sanitária e cada um terá de tentar fazer a sua parte para tentar travar a propagação deste vírus insidioso. A outra crise é económica. As previsões ontem divulgadas pelo Banco de Portugal, mesmo no cenário mais favorável, apontam para uma quebra de riqueza produzida de 3,7% este ano, o que significa uma erosão face ao ano passado de 7,8 mil milhões de euros. Mas este é o cenário mais otimista e, dado o apagão que a economia sofreu, provavelmente o cenário pessimista de queda de 5,7% será mais próximo da realidade.

Mas nem só de pão vive o homem e a clausura imposta é inédita. É uma quarentena igual à quaresma pascal e previsivelmente outra depois da Páscoa. Sem futebol, conversas de café e espetáculos ao vivo, sem missas com fiéis, nem procissões na semana santa, o mundo a que estávamos habituados ficou suspenso. A quaresma era um período em que se predicava o jejum. Mas esta abstinência social em tempo de primavera é extremamente dolorosa. Vamos ter de sobreviver . Não será fácil, mas o que importa é viver. Um dia de cada vez.

Armando Esteves Pereira

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