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Correio da Manhã

Opinião
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A onda grande

Um tsunami de desesperança e dívidas ameaça muitos rostos.
Octávio Ribeiro(octavioribeiro@cmjornal.pt) 21 de Junho de 2020 às 00:33
O pálido ‘star system’ nacional começou com o advento dos canais privados e instalou-se em torno da produção de novelas. No final do século passado, a TVI apostou forte nas novelas portuguesas. Como os resultados ultrapassaram as da Globo, que a SIC exibia em horário nobre, também esta televisão se virou para a produção intensiva de ficção nacional.

Com a saudável concorrência, os principais atores passaram a auferir rendimentos que lhes permitiam enfrentar os períodos de apagamento. Muitos deles protegidos por contratos de exclusividade. Na última década, os espanhóis da Prisa passaram a desviar os lucros da TVI para cobertura da imensa dívida em Madrid. Os atores começaram a trabalhar de forma ainda mais intensa, com menos qualidade, e a ganhar cada vez menos. No plano salarial, as produtoras de novelas aparentam um entendimento cartelizado que esmaga os interesses dos atores. Incapazes de organizar-se na defesa comum.

Neste cenário, a paralisação ditada pela pandemia e a falta de visão e peso da ministra da Cultura geraram a tempestade perfeita. Um tsunami de desesperança e dívidas ameaça muitos rostos queridos para todos os portugueses.
TVI SIC Globo economia negócios e finanças questões sociais media negócios (geral)
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