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Correio da Manhã

Opinião
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As estátuas da RTP

Canal embarcou na ditadura do politicamente correto.
Alfredo Leite(alfredoleite@cmjornal.pt) 27 de Junho de 2020 às 00:33
A direção de Programas da RTP decidiu suspender parcialmente do espaço ‘Zig Zag’ a série infantil de animação ‘Destemidas’ após a emissão de um episódio sobre a vida de Thérèse Clerc, que abordou a homossexualidade, religião, divórcio e aborto.

Com tal cocktail de temáticas e ainda duas mulheres a beijarem-se, era previsível o dilúvio de críticas que inundou as redes sociais do canal de serviço público, o provedor do telespectador da estação e o regulador do setor. "Cometer um erro e não o corrigir é outro erro", escreveu Confúcio, mas o caso da RTP é menos linear e mais preocupante. Ao tentar emendar a mão e anunciar nova – e necessariamente mais suave - dobragem do episódio, a direção da RTP não admitiu apenas o descontrolo na pré-visualização dos conteúdos que emite, sobretudo para um segmento tão delicado com o infantil.

Embarcou na ditadura do politicamente correto espargido em desbragadas redes sociais controladas por franjas radicalizadas seja da política, seja da religião.

Um canal que é de todos os credos e sensibilidades não pode estar refém de quaisquer fações sociais e começar a derrubar estátuas só porque lhe enchem o Facebook de ameaças tão conservadoras quanto levianas.
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