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Correio da Manhã

Opinião
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Danos colaterais

Interiorizámos excessivamente a cedência de direitos individuais.
Eduardo Dâmaso(eduardodamaso@sabado.cofina.pt) 5 de Março de 2021 às 00:31
Um ano depois do início da pandemia, um dos danos colaterais menos visíveis que sofremos, enquanto sociedade, está na própria essência de democraticidade do regime. Pode parecer absurdo mas não é.

Ao fim de um ano a viver em estado de emergência, calamidade ou contingência, interiorizámos excessivamente a cedência de direitos individuais como melhor forma de combater a pandemia. A resignação transformou-se num padrão face a esta adversidade. Passámos a aceitar que o Governo faça mais ou menos o que quer em áreas decisivas de fiscalização do Estado. Que meta os seus rapazes e raparigas um pouco por todo o lado, incluindo em alguns órgãos independentes que deveriam assegurar um País mais transparente. Aceitámos ter um Ministério Público que desistiu de combater a corrupção e que, basicamente, adotou o cinzentismo, a inércia e o amiguismo como forma de funcionamento. Aceitámos a diabolização de sindicatos e ordens profissionais e a consagração do ajuste direto como forma de contratação pública. Tudo em nome da emergência do Estado de combater a doença e do estado de emergência. Não vem aí a ditadura. Mas virá um ambiente social muito menos respirável.
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