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Correio da Manhã

Opinião
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O dono do algoritmo

Controlar os sorteios de processos é um desígnio antigo.
Eduardo Dâmaso(eduardodamaso@sabado.cofina.pt) 5 de Janeiro de 2022 às 00:33
Não é de hoje a apetência de muita gente que está nos níveis mais obscuros da política, ou de outros, que sendo magistrados, a serve, para controlar a Justiça. É um desígnio antigo de gente que quis partir a espinha ao MP, dominar a PJ pela asfixia financeira, governamentalizar a Autoridade Tributária, controlar a informática dos tribunais e, agora, ser uma espécie de mago Merlim dos sorteios dos processos.

À trapalhada em que se meteu o Conselho Superior da Magistratura, à falta de transparência do Governo na fusão dos juízos de instrução criminal com o Tribunal Central, só faltava mesmo a total ausência de clareza na informática dos sorteios. Só faltava mesmo que, por artes mágicas, o dono do algoritmo dos sorteios de processos ficasse instalado no Terreiro do Paço.

O escândalo não está no que Sócrates se veio agora queixar, numa alquimia de intrujice com intoxicação. O sorteio do seu processo foi uma questão suscitada pelos seus próprios recursos e decidida por dezenas de juízes de tribunais superiores. Teriam de estar todos feitos com os tenebrosos MP e juiz Carlos Alexandre. Não, o escândalo é o que se desenha para o novo ‘Ticão’. E isso sim, é grave para a democracia.
Autoridade Tributária Justiça crime lei e justiça política judicial (sistema de justiça) PJ
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