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Correio da Manhã

Opinião
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Gasolina na fogueira

Situação em Luanda resulta da economia frágil que Lourenço não travou.
Alfredo Leite(alfredoleite@cmjornal.pt) 11 de Janeiro de 2022 às 00:31
Alfredo Leite
Alfredo Leite
Será manifestamente exagerado acusar a UNITA, como está a fazer o Governo de Angola, liderado pelo MPLA, da responsabilidade dos protestos que estão a deixar Luanda a ferro e fogo. A greve dos táxis coletivos (meio de transporte informal importantíssimo para a precária mobilidade na congestionada capital angolana) é apenas o motivo que parte significativa da população desfavorecida e desempregada precisa para demonstrar, com violência e vandalismo, o descontentamento face ao aumento galopante do custo de vida que o executivo de João Lourenço não está a conseguir travar. A conjuntura internacional, a frágil economia e a inflação estão a multiplicar bolsas de insatisfação, o que, em ano de eleições gerais no país, também está a fazer aumentar o nervosismo de todos os atores políticos. Principalmente dos que agora lideram Angola.

A situação político-económica angolana é hoje uma fogueira em lume brando e qualquer conflito menor – como a luta dos taxistas – é a gasolina que fará explodir as tensões sociais na maior cidade de Angola, com réplicas noutras regiões do imenso país africano. O governo de Lourenço deveria ser mais prudente quando acusa a oposição de instrumentalização dos protestos. Dentro do MPLA há muita boa gente a quem a desestabilização da atual governação também interessa.
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