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Correio da Manhã

Opinião
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A hora da UE

Empresas que já estão asfixiadas não sobrevivem até junho.
Editorial CM 24 de Março de 2020 às 00:31

No dia em que Marcelo promulgou o OE de 2020 já se sabia que o elemento distintivo do documento não seria alcançado. O excedente não passa de miragem. A hibernação económica do 2º trimestre vai representar um rombo nas contas públicas, mas essa não é a principal emergência.

Mais grave é a situação das empresas que esta semana já não têm liquidez para pagar aos funcionários e dos precários que ficaram sem rendimento, nem rede. E ainda estamos no princípio da pandemia e da pan-histeria. Milhares de empresas que já estão asfixiadas não sobrevivem até junho. E nem nesse mês, mesmo com o surto dominado, a economia real recupera o ritmo de fevereiro.

O vírus foi mesmo o Diabo que destruiu a economia global. Perante o ataque, a resposta tem de ser musculada a nível europeu. Para empresas e pequenos negócios pouco adianta ouvir falar de apoios se o dinheiro não chegar rapidamente e em condições adequadas.

Mas não se pode repetir o erro de 2008 quando os Estados foram incentivados a gastar e os mais frágeis ficaram com a fama e o custo de serem os devedores culpados da crise. Ou a UE avança com emissão de dívida conjunta ou países periféricos e endividados como Portugal mergulharão numa crise pior do que a anterior. É a hora decisiva para a UE.

Armando Esteves Pereira

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