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Correio da Manhã

Opinião

Amnistia sanitária

Há sinais contraditórios na reação do Governo a esta crise sanitária.
Octávio Ribeiro(octavioribeiro@cmjornal.pt) 4 de Abril de 2020 às 00:33
Há sinais contraditórios na reação do Governo a esta crise sanitária. Os cidadãos cumpridores estão confinados às suas casas. Não poderão viajar na Páscoa. Mesmo os que ainda trabalham têm cada vez mais dificuldade em romper os cercos securitários, que se montam e desmontam nas maiores cidades, sem qualquer efeito prático que não o de atrasar as pessoas ainda produtivas. Os que ainda transportam alimentos ou outros bens essenciais para que a já flébil Economia não morra. Os que asseguram os serviços necessários à paz social.

E com essas medidas excecionais, agora que estamos a meio da ponte, não adianta discordar. Se são necessárias, executem-se. Se podem salvar vidas, cumpram-se. Mas, no meio desta tempestade securitária, o Governo decide soltar cerca de 1200 condenados a penas de prisão efetiva. Numa visão maniqueísta, pode resumir-se esta política a um – prendam os cidadãos comuns, soltem os celerados.

À crise sanitária e económica, esta decisão ameaça acrescentar uma crise de segurança.

Com os poucos polícias e guardas todos empenhados em travar a circulação nas estradas, quem vai vigiar as ruas e os que saem de um ambiente controlado sem qualquer apoio financeiro, nem sequer para comer?

As contas a esta crise só devem fazer-se no fim. Agora com uma importante parcela na área criminal.
Governo questões sociais economia negócios e finanças opinião coronavírus
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