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Correio da Manhã

Opinião
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Esperança depois do caos

Base de apoio mantida por Trump é proeza que não deve ser ignorada.
Alfredo Leite(alfredoleite@cmjornal.pt) 9 de Novembro de 2020 às 00:30
Pode parecer desfocado o facto de, no rescaldo eleitoral dos EUA, se discutir mais o vencido que o vencedor. Mesmo sendo um dos poucos a falhar a reeleição, Donald Trump manteve intacta a base de apoio (quase metade dos eleitores), apesar da mitómana realidade paralela em que se move, do buraco económico para onde arrastou o país e da negligência com que tratou a pandemia.

É uma proeza que não deve ser ignorada.

A América vive hoje numa antinomia menos política e mais socio-ideológica que se traduz na disputa entre o obscurantismo do ‘trumpismo’ e a tolerância prometida de Biden/Harris. Enfrentar a pandemia, repensar um sistema de saúde digno, combater o racismo sistémico, integrar os ilegais, reduzir os 12 milhões de desempregados ou restaurar a confiança dos aliados são alguns dos desafios de Joe Biden.

Uma vida na política deu-lhe as ferramentas para promover consensos e, à falta de uma maioria no Senado, deles precisará.

Ser o Presidente de todos os americanos, como Biden prometeu, exigirá mais do que acordos no Capitólio. Exige perceber o que dá Trump, que outros no sistema não deram, aos 70 milhões que apoiam o ainda Presidente. E o que fará Trump com isso.
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