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Correio da Manhã

Opinião
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Estados de exceção

Há uma diferença abismal entre a celebração do 25 de Abril, de Ferro Rodrigues, e a do 1º de Maio, de Isabel Camarinha.
Alfredo Leite(alfredoleite@cmjornal.pt) 3 de Maio de 2020 às 00:33
Há uma diferença abismal entre a celebração do 25 de Abril, de Ferro Rodrigues, e a do 1º de Maio, de Isabel Camarinha. A nova líder da CGTP apostou em assinalar na rua o dia do trabalhador durante o estado de emergência e com os participantes autorizados a circular entre concelhos, uma exceção que não bafejou os outros portugueses. Ganhou a aposta.

A imagem dos manifestantes em distanciamento social, com máscara e alinhados ao estilo do Arirang norte-coreano, já é um ícone da pandemia. Do dia da Liberdade do presidente da AR ficará quase nada para memória futura.

O braço-de-ferro da central sindical – e de quem a sustenta – para garantir a exceção implicou negociações invulgares com ministros, o primeiro-ministro e o presidente da República. Como não se vislumbram autorizações imediatas para outras manifestações (de fé, por exemplo, a 13 de maio), talvez tenha razão o padre Leal Pedras quando em, plena missa online no feriado, a partir da Baixa de Lisboa, lembrava que "não há dúvida que a geringonça manda neste País". Pelos vistos em consenso alargado de São Bento a Belém.
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