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Correio da Manhã

Opinião
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Grande ilusionista

Grupo Espírito Santo era o conglomerado financeiro mais influente em Portugal e tinha como principal capital um nome que representava uma dinastia.
Armando Esteves Pereira(armandoestevespereira@cmjornal.pt) 17 de Julho de 2020 às 00:33
A narrativa portuguesa do último século não criou uma personagem tão forte como Ricardo Espírito Santo Salgado. E no entanto, este banqueiro, o português mais poderoso desde a segunda metade da década de 1990 até à chegada da troika, é bem real.

O Grupo Espírito Santo era o conglomerado financeiro mais influente em Portugal e tinha como principal capital um nome que representava uma dinastia.

Mas, para surpresa geral, o poderoso grupo era gerido de forma quase amadora e os buracos milionários acumulados eram maquilhados de modo grosseiro.
E esses buracos ajudaram a afundar uma grande empresa, a PT, e lesaram milhares de clientes que compraram aos balcões do BES títulos de um grupo que já estava falido, mas que através de manobras contabilística escondia os buracos.

Ricardo Salgado, entre mais de 64 crimes, é acusado de associação criminosa. Sacou milhões de prémios para si e para a família e entregou muitos milhões aos cúmplices que mantiveram uma ilusão construída para manter o império insuflado.

O antigo dono disto tudo na acusação do Ministério Público parece um grande burlão. Mas é acima de tudo um grande ilusionista que desbaratou milhões e deixou a economia portuguesa mais pobre. Para nossa desgraça, esta personagem teve demasiado poder no País.
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