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Correio da Manhã

Opinião
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Helicóptero de dinheiro

Crise que a pandemia provocou já está a ter efeitos mais nefastos do que a anterior crise financeira.
Armando Esteves Pereira(armandoestevespereira@cmjornal.pt) 8 de Abril de 2020 às 00:32
A crise que a pandemia provocou já está a ter efeitos mais nefastos do que a anterior crise financeira, mesmo em Portugal, castigado por um resgate externo.

Na anterior, havia setores que continuavam a prosperar, como o turismo e algumas empresas exportadoras, agora a hibernação é global.

Os Estados enfrentam um múltiplo desafio de erosão das contas públicas. Por um lado, têm de fazer face aos custos crescentes do sistema de saúde e, simultaneamente, têm de servir como rede de proteção para empresas e famílias.

Cá, o número de trabalhadores em layoff praticamente duplica o número de pessoas desempregadas antes do apagão. Enquanto disparam as despesas, há uma queda brutal nas receitas. Nesta situação, e tendo o País abdicado da política monetária, é urgente que a UE encontre uma solução ousada. As promessas de milhões ouvidas em Bruxelas ainda são insuficientes.

É preciso que o BCE imprima mais euros e os distribua pelos Estados que precisam de helicópteros de dinheiro. Arranjem um mecanismo que permita a emissão de empréstimos do BCE a todos os Estados para fazer face aos gastos provocados pelo vírus e garantam que a economia retome quando acabar a emergência sanitária.

Essa emissão extraordinária deve ter custo zero nos juros e ser perpétua, ou a 100 anos, de modo a não asfixiar as contas públicas dos países. Se esse helicóptero não chegar, a economia arrisca-se a morrer da cura do vírus.
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