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Correio da Manhã

Opinião
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Lisboa, Tejo e tudo

Entre os jovens, tornou-se chique ignorar os riscos do vírus.
Carlos Rodrigues(carlosrodrigues@cmjornal.pt) 31 de Maio de 2020 às 00:31
E tudo é o vírus e os comportamentos de risco.

Sexta-feira, hora de jantar, docas de Sto. Amaro, Lisboa. Passeios, esplanadas, recantos, tudo à pinha.

Famílias entrincheiradas no gel e nas máscaras. Logo ao lado, centenas de jovens, abracinhos, toques, sussurros à orelha, beijinhos, um para quem quer mostrar um, dois para quem não quer mostrar nada. Distância física: zero. Máscaras, nada. Proximidade? Total. Os leitores conhecem a minha posição: creio que a sociedade portuguesa foi capturada pelo medo. Sou crítico do confinamento, do teletrabalho e de se condenar um país à miséria.

Mas também me magoou quando a Covid-19 gerou uma fissura moral. Doença de idosos. A discriminação espalhou-se de tal forma que, na noite alfacinha, adolescentes e pré-adolescentes borrifam-se para toda a precaução. Entre os jovens, tornou-se chique ignorar o vírus e disso fazer gala. Não me falem só do "Jamaica".

A noite das cidades é enorme factor de risco. Daqui a 14 dias, se os casos em Lisboa voltarem a disparar, poderei dizer "eu estive lá", no momento em que o vírus teve um festim de juventude para rumar à casa de todas aquelas famílias, crescer, e multiplicar-se.
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