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Correio da Manhã

Opinião
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O milagre de improviso

O país limita-se a correr atrás do prejuízo desde que o vírus cá chegou.
Carlos Rodrigues(carlosrodrigues@cmjornal.pt) 30 de Abril de 2020 às 00:32
O secretário de Estado da Saúde tem substituído a ministra em muitas conferências de imprensa sobre a Covid-19.

A vertigem do palco levou agora Lacerda Sales a afirmar ao jornal britânico ‘Independent’ que Portugal planeou "cuidadosamente a sua resposta desde o final de janeiro".

Ora, todos nós sabemos que esta ideia de "milagre português" é um mito. O País foi apanhado de surpresa. Não havia máscaras, não havia gel, não havia testes suficientes, a linha SNS 24 não respondia, os lares de idosos não faziam a mínima ideia do que aí vinha.

Por termos sido apanhados desprevenidos, já se gastaram milhões em ajustes diretos, muitos profissionais de saúde ficaram infetados logo nos primeiros dias, as medidas de apoio a empresas e a trabalhadores continuam cheias de buracos.

Como tantas vezes na nossa História, foi à força de improviso que demos a volta à falta de planeamento. Fizemo-lo com eficácia suficiente para que, no final, pareça um milagre. Convém, porém, que os governantes não nos vendam uma verdade ilusória.

Só reconhecendo erros poderão corrigi-los daqui para a frente. Insistir no improviso será receita para nova tragédia.
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