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Correio da Manhã

Opinião
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O silêncio de Joacine

O silêncio de Joacine será uma vergonha para a casa da democracia.
Octávio Ribeiro(octavioribeiro@cmjornal.pt) 25 de Abril de 2020 às 00:33

Hoje, os deputados de todas as cores eleitas para o Parlamento vão ter direito a discursar. Todas? Não. Há uma figura, eleita pelo círculo de Lisboa, obrigada ao silêncio no Dia da Liberdade.

Os líderes de todos os grupos parlamentares decidiram calar Joacine Katar Moreira no dia que celebra a democracia.

O argumento de que Joacine deixou de representar o partido porque foi eleita é mais um monumento à partidocracia que, da esquerda à direita, se une para calar vozes incómodas. Mesmo que legitimadas pelo voto.

Hoje, quando Marcelo Rebelo de Sousa fechar a cerimónia comemorativa do 25 de Abril, uma mulher, negra e gaga, estará justamente indignada com o silêncio imposto. E terá toda a razão. Joacine conhece melhor do que ninguém os bairros desfavorecidos que circundam Lisboa. Como estão a viver esta pandemia os mais pobres e segregados? Se Joacine não pode falar disso, ninguém pode. Ninguém mais sabe. O silêncio de Joacine, hoje, será uma vergonha para a casa da democracia.

Uma vergonha, como para irritação de Ferro Rodrigues, clama com frequência, André Ventura. Que, com Cotrim Figueiredo, se viram cercados na defesa do direito à palavra de Joacine.

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