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Correio da Manhã

Opinião
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Perpétua não é morte

É na prisão perpétua que as democracias encontrarão o seu reduto de defesa.
Octávio Ribeiro(octavioribeiro@cmjornal.pt) 16 de Maio de 2020 às 00:33
Uma criança é torturada até à morte pelo pai.

O monstro, em conluio com a mulher, tenta arrancar à menina detalhes de uma suspeita sexual. Para agravar, depois de morta, a pobre Valentina é vestida, despejada no mato e dada como desaparecida.

O povo sente-se enganado. O povo insulta os criminosos. O povo aplaude a urna de uma menina assassinada - aquele povo já não sabe rezar?

Em momentos destes, demagogos totalitários aproveitam para atear quão justa seria a pena de morte. Pedro Dias, Rosa, Sandro & Márcia, quantos outros não merecem a pena de morte? E o povo, que insulta e vocifera, o povo que chora em desajustada ovação, esse povo diria que sim.

Acima do povo daqui ou dali, dos que exorcizam defeitos seus nas explosões de mal alheio, acima das emoções e ódios; acima de todos nós, há um Povo que se escreve com maiúscula.

Um Povo que é todos os cidadãos, também aqueles que insultam e aplaudem a despropósito. Esse Povo sabe o perigo da Justiça ser vingança.

É na pena de prisão perpétua que as democracias encontrarão o seu reduto de defesa.
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