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Correio da Manhã

Opinião
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Sem sinais da Páscoa

O vírus do desespero está aí e é tão perigoso como o outro.
Editorial CM 25 de Março de 2020 às 00:33

Chegou ao fim a Fase 1 da Covid; o País está em casa. Ruas desertas, praças vazias, estradas sem movimento. Nem na noite de Consoada há tão pouca gente ao luar. Só se mexe quem vai às compras, dar um salto a farmácia, esticar as pernas ou trabalhar - onde ainda é possível trabalhar. Talvez a Páscoa nos traga a Ressurreição, mas para já não há sinais de milagre. Estamos pregados na cruz.

É nesta incerteza que entramos na Fase 2. Adaptados, conformados, cansados, apreensivos. E agora?

Sozinhos em casa, ouvimos promessas de ajuda, enquanto deitamos contas à vida. O Governo esforça-se por anunciar medidas que garantem tecto, comida, emprego, mas falta a tradução prática.

A Banca assobia para o ar, seguindo a cartilha daquele banqueiro que descobriu a vacina contra todas as doenças: o povo aguenta! A UE tarda a reagir, mais ainda do que o costume. Desta vez petrificou, numa altura em que devia tomar a dianteira nesta fuga sem fim a vista.

Não estranha, pois, que o vírus da ansiedade, do desespero, do descontrolo, esteja já à porta de muitos, pronto para infetar famílias, idosos, casais jovens. Este não precisa de testes e é tão perigoso como a Covid.

País Covid Fase Consoada Ressurreição
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