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Correio da Manhã

Opinião
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Só dinheiro não chega

Sem vacina ou medicamento não haverá verdadeira retoma.
Paulo João Santos 29 de Abril de 2020 às 00:31
Num ponto estão todos de acordo: a Europa vai precisar de muito dinheiro para pôr a economia a mexer.

Acabará por chegar, a uns mais do que a outros, uma parte a fundo perdido, outra sem juros, com a devolução do bolo em pequenas fatias espaçadas no tempo. Um reforço essencial para acudir às famílias, aos desempregados, às empresas.

Mas não tenhamos ilusões. Uma coisa é o regresso da atividade económica, outra é a retoma. Em circunstâncias normais, uma conduziria à outra. Neste caso não.

Por um lado, o desconfinamento traz consigo um conjunto de restrições que afeta o normal funcionamento de qualquer atividade: da restauração à hotelaria, do pequeno comércio à indústria, do turismo ao imobiliário, do futebol à moda, à cultura.

Mas, sobretudo, por uma questão de confiança. Quem vai comprar um carro, uma casa, uma televisão, um sofá para a sala ou viajar, sem saber o amanhã? Sem saber se mantém o emprego ou, no limite, se terá almoço e jantar no dia seguinte?

Sem vacina ou medicamento eficaz não haverá verdadeira retoma. E embora a busca pela cura seja incessante, vamos viver com a doença por muitos meses.
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