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Costa e Conti avisam que degradação das previsões económicas impõem acordo europeu já

António Costa disse depois que o seu Governo tem já "o hábito de trabalhar para contrariar as previsões - e é isso que será feito".
Lusa 7 de Julho de 2020 às 22:19
António Costa , chefe do Governo
António Costa , chefe do Governo FOTO: RODRIGO ANTUNES/LUSA
Os primeiros-ministros de Portugal e de Itália alegaram hoje que o agravamento das previsões negativas da economia feitas pela Comissão Europeia impõe um acordo entre os 27 Estados-membros já na próxima reunião do Conselho Europeu.

Esta posição comum sobre o Conselho Europeu dos próximos dias 17 e 18 foi transmitida por António Costa e Giuseppe Conti em conferência de imprensa, em São Bento, após uma reunião de cerca de uma hora e antes de um jantar de trabalho entre os dois chefes de governo.

Perante os jornalistas, tanto António Costa, como Giuseppe Conti, referiram-se ao facto de a Comissão Europeia ter agravado as suas previsões económicas para todos os Estados-membros, sendo que no caso de Portugal se estima agora uma contração de 9,8% do PIB (Produto Interno Bruto), muito acima da anterior projeção de 6,8%, mas também da do Governo, de 6,9%.

Na perspetiva do primeiro-ministro português, as previsões da Comissão Europeia "revelam bem a urgência de que haja um acordo" no Conselho Europeu deste mês.

"Houve uma revisão em baixa geral das previsões económicas para o conjunto da Europa e Portugal teve uma redução muito significativa. Ficámos agora uma décima abaixo da média da União Europeia", observou.

António Costa disse depois que o seu Governo tem já "o hábito de trabalhar para contrariar as previsões - e é isso que será feito".

No entanto, o líder do executivo português fez sobretudo a defesa das propostas da Comissão Europeia de fundo de recuperação (com um valor global de 750 mil milhões de euros) e de Quadro Financeiro Plurianual (2021/2027).

"Como disse aqui o primeiro-ministro de Itália, Giuseppe Conti, esta proposta da Comissão Europeia é um todo e é muito difícil mexer num elemento sem desestruturar a proposta no seu conjunto. Cada um de nós pode começar a dizer que este é o melhor critério e não aquele, mas, se assim fizermos, não vamos chegar a um acordo. Temos de avançar com ambição, porque a situação é muito grave em toda a Europa, designadamente o desemprego", advertiu António Costa.

Para o primeiro-ministro português, as previsões da Comissão Europeia "devem servir de alerta muito sério" destinado a todos os chefes de Estado e de Governo da União Europeia.

"Todos têm de ter bem a consciência de que temos de chegar a Bruxelas na próxima semana com um objetivo muito claro: Só sair de Bruxelas com um acordo concluído e que esse acordo seja o mais possível próximo daquilo que é a proposta da Comissão Europeia", frisou.

Perante os jornalistas, se António Costa se recusou a falar em "linhas vermelhas, porque o objetivo é abrir vias verdes" no próximo Conselho Europeu, o primeiro-ministro italiano disse por sua vez que a sua "linha vermelha é uma solução que garante uma resposta política forte".

Giuseppe Conti, líder de Governo de um dos países mais atingidos no mundo pela covid-19, está a visitar várias capitais europeias, tendo em vista a obtenção de um acordo rápido na União Europeia.

Com António Costa ao seu lado, deixou um aviso, elevando o seu tom de voz: "Não vai haver vencedores e outros que perdem, porque ou vencemos todos juntos ou perdemos todos juntos. Trata-se de uma crise sem precedentes e não há tempo a perder", declarou.

O primeiro-ministro de Itália considerou depois que os Estados-membros da União Europeia "chegaram a um momento fulcral" e, tal como o seu homólogo português, fez referência às mais recentes previsões económicas da Comissão Europeia.

"As previsões são muito negativas. Temos de completar a negociação e encontrar um compromisso a 27. Não podemos enfraquecer a proposta da Comissão Europeia", sustentou.

António Costa fez igualmente uma defesa cerrada da proposta da Comissão Europeia, considerando-a "inteligente, justa e "equilibrada" para todos os Estados-membros.

Tal como declarara momentos antes Giuseppe Conti, o primeiro-ministro português acentuou a ideia de que se está perante uma crise global "e que nenhum país vai sair dela sozinho".

"Só vamos sair em conjunto desta crise. Ou saímos todos ou não sai nenhum", acrescentou.

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