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Correio da Manhã

Política
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Líder de corrente conservadora no CDS deixa partido e adere ao Chega

Pedro Borges de Lemos era militante do partido desde 2013. Deixa críticas a líder Francisco Rodrigues dos Santos.
Lusa 7 de Agosto de 2020 às 11:49
Pedro Borges de Lemos ao lado de André Ventura
Pedro Borges de Lemos
Pedro Borges de Lemos ao lado de André Ventura
Pedro Borges de Lemos
Pedro Borges de Lemos ao lado de André Ventura
Pedro Borges de Lemos
O militante do CDS-PP Pedro Borges de Lemos, da corrente não formalizada "CDS XXI", anunciou hoje que se desfiliou do partido, com críticas à direção, e manifestou-se disponível para aderir ao Chega.

"Em virtude das declarações dadas pelo presidente do CDS-PP à Visão em que afirmou que a minha presença na manifestação 'Portugal não é racista' , "constituía uma infração passível de ser apreciada pelos órgãos de jurisdição do partido", sou a declarar que lhe enviei hoje a minha desfiliação do CDS-PP, onde era militante desde 2013", revelou, em comunicado enviado à agência Lusa.

Pedro Borges de Lemos, advogado, era militante de base do CDS-PP desde 2013, não integrando qualquer órgão dirigente, mas liderava desde 2017 uma corrente interna designada CDSXXI, que defendia um "partido conservador e assumidamente de direita".

Crítico do que classificou como "deriva liberal" das anteriores direções de Paulo Portas e Assunção Cristas, Borges de Lemos apoiou Francisco Rodrigues dos Santos no Congresso de janeiro para a liderança do CDS-PP, no qual apresentou uma moção.

Contudo, criticou, o percurso de Rodrigues dos Santos desde aí "tem sido o percurso de alguém a quem falta a força, a coragem e a personalidade de um líder, com um discurso imberbe e refém de uma máquina partidária inane de ideias e de ações".

Afirmando que já não se identifica com "este CDS", Pedro Borges de Lemos elogiou a "recetividade e solidariedade do Chega e do seu líder", André Ventura, declarando-se "aberto desde já a servir Portugal na única força política de direita que tem demonstrado a coragem de combater o sistema em todas as suas fraquezas".

Pedro Borges de Lemos participou na concentração promovida pelo Chega no domingo passado, em Lisboa, sob o mote "Portugal não é racista".

Numa entrevista publicada na edição de quinta-feira da revista Visão, o presidente do CDS-PP considerou que "a ação de Borges de Lemos constitui uma infração que pode ser apreciada pelos órgãos de jurisdição do partido", acrescentando que o processo já chegou aos órgãos disciplinares.

Para Francisco Rodrigues dos Santos, juntar "centenas de pessoas nas ruas em plena crise pandémica, depois de tantas mortes e sacrifícios, é uma imoralidade e um insulto a quem está a sofrer".

"Aos políticos, a todos eles, seja aos Venturas ou aos Borges de Lemos desta vida, pede-se que coloquem de parte o oportunismo e que deem o exemplo", declarou.

Sobre o Chega, Francisco Rodrigues dos Santos considerou ainda que o partido que elegeu o deputado André Ventura está "cada vez mais distante dos valores do centro-direita democrático e popular" e que a possibilidade de entendimentos com aquele partido é, "neste momento, nula".

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