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Correio da Manhã

Política
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Câmaras irredutíveis contra opção de novo aeroporto do Montijo

Municípios do Seixal e da Moita lembram que há impactos negativos nas populações.
Wilson Ledo 18 de Março de 2020 às 09:05
O primeiro-ministro, António Costa, voltou a receber o presidente da Câmara do Seixal, Joaquim Santos, no Palácio de São Bento
António Costa
O primeiro-ministro, António Costa, voltou a receber o presidente da Câmara do Seixal, Joaquim Santos, no Palácio de São Bento
António Costa
O primeiro-ministro, António Costa, voltou a receber o presidente da Câmara do Seixal, Joaquim Santos, no Palácio de São Bento
António Costa
As câmaras do Seixal e da Moita mantêm o "braço de ferro" com o Governo sobre a localização do novo aeroporto. Após reuniões com o primeiro-ministro, as autarquias insistem que Alcochete é a única alternativa viável.

"O que o primeiro-ministro me transmitiu é que a ANA Aeroportos é que decide onde quer localizar esse Humberto Delgado + 1", lamentou esta terça-feira Joaquim Santos, autarca do Seixal, que pede a renegociação do contrato com a gestora aeroportuária.

"O nosso contrato é com as populações e com o interesse nacional", reforçou.

Apesar de reconhecer que os critérios do contrato são "muito discutíveis", o ministro do Ambiente recusou alterar um documento que "vem de trás". João Pedro Matos Fernandes realçou que o Seixal não teria "quaisquer impactos" com a instalação do terminal comercial na base militar do Montijo. Pelo contrário, disse, o concelho seria beneficiado pelo plano para desenvolver a região.

"Não havendo impactos, não haverá compensações", explicou o ministro. Já a autarquia fala em 90 mil pessoas afetadas e do risco de colisão de aeronaves com aves ou com a ponte Vasco da Gama. Joaquim Santos diz ter estudos que comprovam esse cenário.

Ficou apalavrada uma nova reunião, de caráter técnico, para confrontar posições.

Na segunda-feira, o Executivo reuniu-se com Rui Garcia, autarca da Moita, que assumiu a mesma posição. O comunista assegurou não ficar descansado com a garantia do Governo de que serão reabilitadas cerca de 3500 casas na Baixa da Banheira, para minimizar o ruído provocado pelo novo aeroporto.

Está previsto um valor entre 10 e 15 mil euros por casa para melhorar portas, janelas e coberturas. O ministro Matos Fernandes já admitiu um "trabalho suplementar", abrangendo habitações na zona de aproximação à pista, que registem valores abaixo dos 55 decibéis previstos na lei. 

Pormenores
Parecer das câmaras
A lei exige um parecer favorável de todos os concelhos afetados. Sem esse passo, o projeto não pode avançar.

Cinco estão contra
Cinco municípios comunistas emitiram parecer negativo à construção. São eles Moita, Seixal, Sesimbra, Setúbal e Palmela. Todos receiam o impacto nas populações.

Investir 1,15 mil milhões
A ANA e o Estado assinaram um investimento de 1,15 mil milhões de euros até 2028 para aumentar a capacidade da Portela e transformar a base do Montijo.
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