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Correio da Manhã

Política
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Catarina Martins diz que é preciso acelerar a descontaminação

"É preciso reconhecer os problemas que existem e é preciso intervir sobre eles", afirma a coordenadora do Bloco de Esquerda.
11 de Setembro de 2018 às 13:56
Catarina Martins
Catarina Martins
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A coordenadora do BE reiterou esta terça-feira que é preciso acelerar a descontaminação de solos e aquíferos na Praia da Vitória e estendê-la a todos os focos de poluição decorrentes da utilização da base das Lajes pelos militares norte-americanos.

"Estão identificadas dezenas de focos de poluição na ilha e na Praia da Vitória e só dois é que estão a ser intervencionados. Serão os dois que foram identificados como preocupantes, mas são dois em dezenas e, portanto, é essencial começar o processo de avaliação e de descontaminação de todos os outros focos. É preciso também acelerar a descontaminação dos dois focos que já estão a ser descontaminados, porque senão estaremos décadas e décadas a dizer que estamos a dar passos, mas sem ter resolvido o problema", adiantou.

Catarina Martins falava, em declarações aos jornalistas, à margem de uma reunião com o presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória, na ilha Terceira, onde se reuniu com várias entidades ligadas à base das Lajes, durante dois dias.

Segundo a dirigente bloquista, a contaminação de solos e aquíferos por hidrocarbonetos é uma "questão grave" e é perigoso "fazer de conta que está tudo bem e não olhar para os sinais de alarme e para os avisos de especialistas".

"É preciso reconhecer os problemas que existem e é preciso intervir sobre eles, de forma a fazer a descontaminação e a recuperação ambiental", frisou.

Catarina Martins defendeu que o trabalho de descontaminação deve ter a solidariedade nacional, mas realçou que é preciso pedir responsabilidades aos norte-americanos.

"A poluição que foi feita não foi por acaso. Tem uma fonte que é clara e, portanto, não pode ser resolvida só com os meios próprios da Região Autónoma. É preciso acionar responsabilidades próprias da República, mas as responsabilidades também norte-americanas para um trabalho de descontaminação e de recuperação ambiental da ilha", salientou.

A contaminação de solos e aquíferos foi identificada pelos próprios norte-americanos em 2005 e confirmada, em 2009, pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), que monitoriza desde 2012 o processo de descontaminação.

No relatório que avaliou os "trabalhos de reabilitação para melhoria da situação ambiental envolvente aos furos de abastecimento de água do concelho da Praia da Vitória" no primeiro semestre de 2018, o LNEC detetou uma diminuição de hidrocarbonetos nos aquíferos localizados na Porta de Armas e no parque de combustíveis South Tank Farm.

O LNEC iniciou em junho um novo estudo que incide sobre 33 locais, resultantes de um cruzamento de informação já conhecida de outros relatórios e de novas suspeitas levantadas junto da opinião pública, que deverá estar concluído até ao final deste ano.
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