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Correio da Manhã

Política
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Eleições para o parlamento europeu resultam em 'Eurogeringonça'

Subida dos liberais e verdes ameaça domínio tradicional de populares.
João Ferreira 28 de Maio de 2019 às 01:30
Realinhamento de forças no Parlamento Europeu pode abrir a porta a uma geringonça europeia impulsionada por Macron e Costa, entre outros
Parlamento Europeu
Parlamento Europeu
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Realinhamento de forças no Parlamento Europeu pode abrir a porta a uma geringonça europeia impulsionada por Macron e Costa, entre outros
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Realinhamento de forças no Parlamento Europeu pode abrir a porta a uma geringonça europeia impulsionada por Macron e Costa, entre outros
Parlamento Europeu
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As eleições europeias mataram o bloco central europeu. Marcam o fim de uma era em que o PPE, de centro-direita, onde estão os eurodeputados do PSD e do CDS, e os Socialistas Europeus, onde estão os eleitos do PS português, juntos, tinham a maioria (376 em 751).

As votações de domingo obrigam a uma redistribuição de forças e poderes das famílias políticas europeias. A extrema-direita subiu consideravelmente mas não tem peso suficiente para criar uma coligação negativa.

Os democratas liberais, onde está o movimento do presidente francês, Emmanuel Macron, ascenderam a terceira força do Parlamento Europeu. Os verdes, para onde vai o PAN, também estão em alta.

Esta nova configuração deixa a porta escancarada a uma geringonça à moda da Europa, que já anda a ser cozinhada há algum tempo entre Costa, Macron e outros.

A inovação em relação a Portugal é que esta geringonça europeia, para além da esquerda, tem de ter o apoio dos democratas e liberais. Esta terça-feira, na cimeira informal em Bruxelas que reúne todos os lideres europeus, deve haver um almoço só para alguns no qual esta geringonça poderá ficar selada.

E, neste cenário, o primeiro-ministro português ganha cada vez mais relevância no panorama político europeu. A possibilidade de Costa rumar, a seu tempo, para Bruxelas já começa a ser ventilada nos bastidores europeus e na imprensa internacional. Para já, Costa diz que não. A ver vamos.

Pormenores
Macron pressiona
Normalmente, o presidente da Comissão Europeia é o candidato do bloco mais votado - neste caso seria Manfred Weber, do PPE. Mas Macron já avisou que o processo não é automático e está a consultar aliados em busca de apoio para uma solução alternativa.

Radicais travados
Perante a queda nas urnas dos dois blocos tradicionais - PPE e Socialistas - que dominaram o Parlamento Europeu nos últimos anos, foi a ascensão dos verdes e liberais que ajudou a travar a ascensão dos partidos populistas e de extrema-direita.

Afluência às urnas sobe
A taxa de participação em toda a Europa cifrou-se nos 51%, uma subida significativa relativamente aos 43% de 2014, travando a tendência descendente registada desde 1979.

Derrota do Syriza leva gregos às urnas
A pesada derrota do Syriza, que ficou 10 pontos atrás dos conservadores da Nova Democracia, levou o PM Alexis Tsipras a anunciar eleições antecipadas. "Temos de nos levantar, reagrupar e lutar", apelou aos apoiantes.

Impasse político na Bélgica
A subida dos separatistas flamengos e da esquerda francófona nas legislativas que decorreram em paralelo com as Europeias deixam a Bélgica perante um novo impasse político. Será muito difícil formar governo.

Orbán saúda "mandato contra a imigração"
A esmagadora vitória do Fidesz (52,1%) levou o PM húngaro, Viktor Orbán, a proclamar que o partido tem agora um mandato claro para "travar a imigração em toda a Europa" e "proteger a cultura cristã".

Ultraconservadores avançam na Polónia
O partido ultraconservador Lei e Justiça reforçou o seu poder na Polónia ao bater a Coligação Europeia por quase 10 pontos nas eleições europeias mais participadas de sempre (45,4%).

Ultimato de Farage após arraso nas urnas
"Ou o Reino Unido deixa a UE até 31 de outubro ou este resultado será repetido nas próximas eleições". Este foi o ultimato feito por Nigel Farage, do Partido do Brexit, após a vitória esmagadora nas Europeias.

Novo partido eurocético teve 31,6% dos votos e atirou os conservadores de Theresa May para quinto lugar, com 8,6%.

Grande coligação à beira do colapso
Os dois maiores partidos alemães, CDU e SPD, perderam votos para os Verdes e a ‘grande coligação’ pode estar em risco. Partido de Merkel caiu 7,6% mas manteve-se como o mais votado.

Já os sociais-democratas perderem 12 pontos e ficaram em terceiro lugar. Vão repensar estratégias e admitem passar à oposição.

Derrotado em casa mas influente no PE
Emmanuel Macron perdeu as Europeias para Marine Le Pen por um eurodeputado, mas o seu partido En Marche foi o principal responsável pela subida do bloco liberal, que passou a ser a terceira maior força política no Parlamento Europeu e terá uma palavra a dizer na formação do próximo executivo comunitário.

Salvini mostra quem manda em Itália
Matteo Salvini beijou o rosário que traz ao peito e agradeceu aos céus a vitória esmagadora nas Europeias, que faz da Liga a força dominante na coligação italiana.

O partido anti-imigração obteve mais do dobro dos votos dos aliados do Movimento 5 Estrelas, que caiu para terceiro lugar, e promete "mudanças" na UE.
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