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Correio da Manhã

Política
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"Em democracia, vence-se com argumentos, não com pedras", afirma André Ventura

Candidato presidencial do Chega lamentou esta o episódio de violência de que foi alvo em Setúbal.
Lusa 21 de Janeiro de 2021 às 22:10
Manifestação durante campanha de André Ventura
Manifestação durante campanha de André Ventura FOTO: Rui Minderico
O candidato presidencial do Chega lamentou esta quinta-feira o episódio de violência de que a sua caravana foi alvo por parte de manifestantes, em Setúbal, defendendo que, "em democracia, vence-se com argumentos, não com pedras".

André Ventura agradeceu o trabalho à polícia, que considerou ter atuado para "repor a ordem pública", e à sua própria equipa de segurança privada, adiantando estar "bem", só com a perna esquerda dorida pela repentina entrada no carro.

No momento mais crítico da tarde, os cerca de 100 manifestantes, que exibiram muito cartazes com a foto da ex-eurodeputada do PS, Ana Gomes, em sinal de apoio à concorrente de Ventura, continuaram o coro de insultos e gritos de "fascista" na direção do líder populista até à referida "chuva" de objetos.

Os seguranças de Ventura cobriram o deputado único do partido da extrema-direita parlamentar e empurraram-no para dentro da sua viatura, que arrancou rapidamente em seguida, rumo a Évora.

"Em democracia, vence-se com argumentos, não com pedras", disse, à entrada para a derradeira ação de campanha do dia, um minicomício num hotel de Évora.

O incidente ocorreu no fim do primeiro comício do dia, pelas 16:00, à saída do Cinema Charlot, junto ao Estádio do Bonfim: uma garrafa de água cheia, embalagens de pastilhas, também com conteúdo, um isqueiro e, pelo menos, uma pedra, foram as provas visíveis caídas no alcatrão.

"Os comentários e a avaliação que eu tenho feito, quer sobre a etnia cigana, quer outros grupos, é uma avaliação política. Por muito que se possa discordar, penso que se discorda com argumentos, com debate político e não com pedras ", disse ainda Ventura agradecendo em seguida as palavras de solidariedade dos seus opositores nas eleições de domingo.

Os cerca de 40 elementos da PSP presentes, incluindo corpo de intervenção, responderam com uma carga com cassetetes sobre os ativistas antifascistas ("antifas") e o grupo maioritário de cidadãos portugueses de etnia cigana, comunidade que tem sido muito visada no discurso extremado do líder de extrema-direita, registando-se confrontos e novo arremesso de pedras.

Um repórter de imagem da TVI foi atingido com um paralelepípedo num joelho. A PSP também deteve, pelo menos, um dos indivíduos que protestaram contra a presença de Ventura no local.

"Se me estão a atirar pedras, como deve calcular, não lhes vou pegar por um braço. A PSP, no âmbito das regras do Estado de direito, teve de usar a força considerada necessária", justificou o comandante distrital da PSP de Setúbal, Viola Silva.

Segundo o responsável policial, "a entrada do candidato correu mais ou menos bem, foram só arremessados alguns ovos".

"Na saída, como prevíamos, foram arremessadas pedras e objetos metálicos cortantes, tudo objetos que, se acertassem em alguém, podiam matar", descreveu.

As eleições presidenciais realizam-se em plena epidemia de covid-19 em Portugal no domingo, sendo a 10.ª vez que os cidadãos portugueses escolhem o chefe de Estado em democracia. A campanha eleitoral começou no dia 10 de janeiro.

Há outros seis candidatos: o incumbente Marcelo (apoiado oficialmente por PSD e CDS-PP), a diplomata e ex-eurodeputada do PS Ana Gomes (PAN e Livre), o eurodeputado e dirigente comunista, João Ferreira (PCP e "Os Verdes"), a eurodeputada e dirigente do BE, Marisa Matias, o fundador da Iniciativa Liberal Tiago Mayan e o calceteiro e ex-autarca socialista Vitorino Silva ("Tino de Rans", presidente do RIR - Reagir, Incluir, Reciclar).

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