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Correio da Manhã

Política

Fernando Medina assinala Dia da Mulher com alerta contra crime de violência doméstica

Autarca defende que esta é uma das formas "mais extremas" da diferença que atinge as mulheres.
Lusa 8 de Março de 2021 às 19:23
Fernando Medina
Fernando Medina, presidente da Câmara de Lisboa
Fernando Medina
Fernando Medina
Fernando Medina, presidente da Câmara de Lisboa
Fernando Medina
Fernando Medina
Fernando Medina, presidente da Câmara de Lisboa
Fernando Medina

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, assinalou esta segunda-feira o Dia Internacional da Mulher com um alerta contra o crime de violência doméstica, considerando que é uma das formas "mais extremas" da diferença que atinge as mulheres.

Numa visita às instalações da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) em Lisboa, Fernando Medina (PS) destacou o trabalho da instituição no combate aos diferentes crimes de violência, desenvolvido ao longo de 31 anos, deixando "uma palavra de agradecimento e de reconhecimento" à equipa de profissionais e voluntários.

"Quis fazê-lo, especificamente, neste dia porque se a APAV se dedica hoje a um vasto conjunto de vítimas, num muito alargado conjunto de violações de direitos fundamentais na nossa sociedade, há um que infelizmente se continua a destacar, que é o da violência doméstica e, na violência doméstica, é inequívoco que há vítimas primeiras à cabeça: mulheres", declarou o presidente da Câmara de Lisboa.

Associando a visita ao Dia Internacional da Mulher, Fernando Medina disse que o município de Lisboa tem desenvolvido vários instrumentos de apoio às vítimas de violência doméstica, inclusive a disponibilização de casas de abrigo, realçando a parceria com a APAV, que tem sido "um parceiro absolutamente fundamental".

"Em plena pandemia, quando tanta coisa fechou, parou, suspendeu, a APAV continuou a fazer o seu trabalho", salientou o autarca.

Mantendo o compromisso do município com o trabalho da APAV, o presidente da Câmara de Lisboa aproveitou para reforçar o "alerta coletivo" contra o crime de violência doméstica, classificando-o como "uma das formas mais extremas e aberrantes da diferença que atinge as mulheres".

"E são tantas as diferenças e as discriminações que existem" contra as mulheres, enfatizou Fernando Medina, referindo que a violência doméstica "é, talvez, a área mais extrema", porque acontece no lar, "tantas vezes no silêncio, tantas vezes oculta".

Apesar de se registarem avanços no combate à violência doméstica em Portugal, inclusive passou a ser crime público, o problema "continua a ser uma realidade, uma realidade que atinge sobretudo as mulheres", reforçou o autarca, defendendo que o trabalho da APAV "é da maior importância".

Segundo dados do projeto "Violência contra as Mulheres e Violência Doméstica em Tempos de Pandemia", promovido pela APAV e financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), relativos ao período entre 22 de março e 03 de maio de 2020 e de âmbito nacional, a instituição recebeu 683 denúncias de casos de violência durante o primeiro confinamento devido à pandemia de covid-19, em que 83% das vítimas são mulheres no contexto das relações de intimidade, em que a forma de violência mais marcante é a conjugação de violência psicológica com violência física.

Cristina Soeiro, vice-presidente da APAV, explicou que ainda não é possível concluir se houve um aumento de casos de violência durante o período de confinamento, adiantando que o projeto termina em maio deste ano, altura em que serão revelados os resultados finais.

Após a apresentação dos dados iniciais do projeto, com a participação do presidente da APAV, João Lázaro, o presidente da Câmara de Lisboa referiu que os números convocam toda a sociedade, reiterando o alerta contra o crime de violência doméstica.

"Estamos muito longe de poder dar por finda esta batalha e este compromisso com algo que atenta àquilo que é mais fundamental, que é o direito à segurança, a uma vida digna, em especial dentro do seu próprio lar", apontou Fernando Medina.

Durante a visita, a vereadora do Desenvolvimento Local e da Habitação da Câmara de Lisboa, Paula Marques, indicou que foram recebidos "mais pedidos de socorro" no contexto da pandemia de covid-19, adiantando que o município dispõe de 58 casas de autonomização de pessoas em situação de violência doméstica, que são geridas por várias organizações, para separar a vítima ou as vítimas do agressor.

Registando "um acréscimo de procura" de casas de autonomização, Paula Marques assegurou que "não há listas de espera" e que as habitações são utilizadas à medida que vão sendo necessárias por parte das várias organizações, garantindo que a Câmara de Lisboa "está obviamente disponível" para reforçar a capacidade, inclusive este mês vão ser disponibilizadas mais duas casas de autonomização de vítimas de violência doméstica, através de uma nova parceria com mais uma organização.

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