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Correio da Manhã

Política

Governo lança linha de 30 milhões de euros para programação cultural

Financiamento abrirá espaço para o setor "reanimar" após fortes prejuízos causados pelo confinamento.
Lusa 22 de Maio de 2020 às 13:54
António Costa
António Costa
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O primeiro-ministro, António Costa, anunciou esta sexta-feira o lançamento de uma linha de financiamento de 30 milhões de euros para ser usada pelos municípios na programação cultural.

Essa linha é "um programa de financiamento de 30 milhões de euros aos municípios para poderem organizar um conjunto de atividades que permitam a um dos setores mais duramente atingidos por esta crise [provocada pela pandemia da covid-19] encontrar um espaço de reanimação", afirmou António Costa.

O primeiro-ministro falava à comunicação social, após uma reunião com a Associação Nacional de Municípios Portugueses, na qual também estiveram presentes outros membros do Governo.

António Costa realçou que esta linha "é fundamental para o setor da cultura", frisando que "os municípios são dos maiores investidores de cultura no país", passando agora a dispor "de condições" para organizar eventos durante o verão.

"Neste verão, não é possível realizar festivais, mas é possível realizar em segurança espetáculos de música, por exemplo, quer ao ar livre quer em espaço coberto", vincou, referindo ainda que na reunião discutiu-se também como se pode acelerar a execução de 1500 milhões de euros de fundos comunitários por executar e como aplicar 300 milhões de euros que "é possível obter do quadro da reprogramação dos fundos comunitários já existentes".

Os municípios, salientou o líder do Governo, "são os agentes do Estado com melhores condições para realizar investimentos de maior proximidade que dinamizam a economia local e com maior eficiência".

O anúncio do primeiro-ministro surge um dia após a vigília `Cultura e Artes´, que decorreu em várias cidades portuguesas, em que profissionais do setor criticaram as medidas de apoio do Governo para esta área.

Devido à pandemia, os espaços culturais começaram a encerrar, e consequentemente a adiar ou cancelar espetáculos, no início de março, quando a opção era ainda apenas uma recomendação do Governo. Aos poucos, a rodagem de filmes, séries e outros programas de televisão ficou parada e as galerias fecharam, deixando milhares de pessoas sem trabalho, muitas das quais trabalham a recibos verdes.

De acordo com um inquérito promovido pelo Sindicato dos Trabalhadores de Espetáculos, Audiovisual e Músicos (Cena-STE), e cujos resultados foram anunciados no início de abril, 98% dos trabalhadores de espetáculos viram trabalhos cancelados e, 33%, por mais de 30 dias.

Portugal regista hoje 1.289 mortes relacionadas com a covid-19, mais 12 do que na quinta-feira, e 30.200 infetados, mais 288, segundo o boletim epidemiológico divulgado pela Direção-Geral da Saúde.

A pandemia do novo coronavírus, que teve origem em dezembro, na cidade chinesa de Wuhan, já matou quase 330 mil pessoas e infetou mais de 5,1 milhões em todo o mundo.

Mais de 1,9 milhões de doentes foram considerados curados pelas autoridades de saúde.

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